segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

2007

O transcorrer do ano foi terrível, mas o fim foi muito, muito bom. Fugiu a todas as minhas mais despretenciosas expectativas e um grande presente, que pode significar grandes mudanças na minha vida, foi-me dado: meu pai voltou pra dentro de mim (muito a falar sobre, mas nesses dias em que estas coisas estiveram acontecendo, eu nada escrevi, só fiquei sentindo).
Gratidão pro resto da vida.

No fim das contas, não vou poder reclamar desse ano tão chato. (ops...)
Mas não posso negar que eu estou MUITO FELIZ porque 2007 acabou.

Tchaaaaaau!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Espelho

Achando tudo realmente ridículo por aqui.
Uma vergonha. Porque não aprovo nada.
Uma revolta. Porque nunca consigo mudar.
Eu sei. Quebrar o espelho não adianta nada. Mas acho que tentar reinventar-se, sim.
Mãos à obra.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Maçã

Eu peguei agora há pouco uma maçã enorme e linda pra comer. Toda vermelhinha, cheirosa. Mordi e estava docinha, bem doce mesmo. Suculenta. Mordi de novo. Mordi pela terceira vez e apareceu uma parte apodrecida bem no miolo dela. Tive que comer a maçã com cuidado, pelas beiradinhas, com mordidas menores, calculadas, hesitantes, pra não chegar a morder a parte podre e estragar todo o sabor. E enquanto eu comia, essa pequena coisa me fez ficar pensando e pensando nisso, exatamente nisso. Quase me perdi de vista nas divagações. Veja só até onde vai um cor inquietum.

O que cai

Alguma coisa está fora da ordem.
Meu cabelo voltou a cair. Eu passo a mão na cabeça e me vêm fios soltos nas mãos. E choro.
Porque é sempre mais do que parece ser. É uma verdadeira descaracterização que eu sinto. Pedaços de mim que caem até desmanchar a minha imagem. A minha juba, tão cantada, minha cabeleira negra e volumosa, que eu exibia orgulhosa, não existe mais há uns 2 ou 3 anos. Desde 2002, com intervalos de pouco mais de 2 anos, esse problema vai e volta e nunca mais fui ou pareci a mesma que eu era. Os cabelos que eu exibia, que sempre me valiam elogios e que eram uma das poucas coisas que eu aprovava na minha imagem não exibo mais, não me fazem mais. E aí não tem como pensar e perceber que não foi só o cabelo que perdeu o volume e a presença marcante na minha fisionomia. Eu perdi outros traços também. Não sou mais a mesma. E as vezes tenho saudade do que eu era, porque havia aqui alguma beleza, uma mínima beleza minha que eu era capaz de enxergar. Desde então é essa sensação de que alguma coisa me fez adoecer e hoje eu me vejo assim tão feia diante de mim.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Ciclos

Minha vida é bem marcada por esses ciclos anuais que começam em janeiro e terminam em dezembro. Meus começos e fins ainda coincidem com essa divisão do tempo. Deve ser por causa do ano letivo. Por isso é sempre inevitável um balanço anual a essa época. Mesmo que eu não o programe ou pretenda, é automático que eu já esteja fazendo-o mentalmente antes mesmo de dezembro começar. Tudo sendo medido, avaliado, calculado. Não costuma ser muito fácil e as vezes nada prazeroso. Mas eu gosto, mesmo assim. Porque por mais que eu me arraste na vida e as mudanças custem tanto a acontecer em mim, eu tento não me acomodar nem desistir.
Dias de muita reflexão por aqui. E isso é bom.

Náusea

Estou no ápice da esquisitice. A misantropia nunca foi tamanha. Pessoas, só à distância, mesmo as que eu amo. Contato, o menor possível. Interação, só virtual. E mais algumas estranhezas em mim que não reconheço. Sinto cheiros desagradáveis em todo canto, em mim, nos ambientes, nas pessoas. Quase sem apetite pra comer, inédito. Me peguei comendo por hábito a mesma quantidade de costume e ao fim da refeição quis vomitar. Mas, não, não o fiz. Alto lá, tem de haver um limite pra tudo. Fora isso tenho tido uns sonhos desconcertantes que me tiram o sossego e passam o dia a me perturbar. Estou parada, suspensa, estagnada. Enfim, tudo é nauseante.
Existe plasil existencial?
Mas como a praxe é viver contra mim, não será agora diferente. Nem que eu tenha que regurgitar toda a vida até aqui.
Raiva.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Meu desconhecido

Não compreender completamente o outro, não entender suas motivações, suas razões, seus sentimentos parece-me algo normal, comum, com o que tentamos nos habituar cotidianamente, buscando aceitá-lo, tolerá-lo. Tentar compreendê-lo pode ser um desafio excitante. Sabê-lo por dentro é, para mim, sempre apaixonante, sobretudo quando este que se me apresenta se revela infinito, irrepetível, ainda que tenhamos todos nossa dose particular de previsibilidade. Talvez todos os seres humanos sejam mesmo inesgotáveis, mas creio que aqui o que o determina é um olhar pessoal sobre cada um.
Mas parece surgir um certo problema quando o outro é você mesmo, quando o meu desconhecido sou eu. Porque por mais que a aquisição desse auto-conhecimento também seja empolgante, é antes angustiante. Angustia ignorar-se, não compreender a si mesmo, não encontrar as conexões corretas entre o que somos, o que pensamos que somos, o que fingimos que somos e o que queremos ser. Não saber de si é a pior condição de ser. Assim sinto.
Coração lacrado.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Carta de amor

Encontrada ali, jogada num velho baú de sonhos e lembranças, uma pequena caixa de pandora pessoal, esta carta.

"Foi a primeira vez que voltei para ti sem alegria, embora seja eu quem tenha te chamado de volta.
Sabes, já não me sinto amada por ti há algum tempo, nunca mais senti aquele amor que deu-me vida. E se ainda estou contigo é só porque um dia, quando amamo-nos mágica e lindamente, tu me amaste e porque este amor passado me sustém e nele tenho fé, não no futuro. É ele que me mantém em ti. Porque há tempos descobri que o amor que eu sinto já não é o bastante para isso. Não por ser pouco, porque não é, ele é a minha vida, mas por eu ainda precisar demasiado do teu, meu sangue, este que não tenho e que por isso tanto me faz doer.
Nunca disse que não te amo mais. Nunca direi. Sempre te amarei, sinto. Mas não tenho mais sido feliz em nosso relacionamento. Nunca mais fui. Nunca mais me senti viva. Porque nunca mais vi-te querendo me fazer feliz, atento ao que sinto. A invisibilidade é mais cortante à alma do que jamais pude imaginar. Autismo, dirás. Amo só a mim mesma, dirás. E eu digo, não quando me amavas. Então tu me fazias inteira para poder te amar corajosamente, sem medida, sem receios, sem restrições.
Sei que não me vais responder a nada disso. Nunca rechaças nada do que digo, não dialogas ou brigas, nada, apenas ignoras, o que sempre confirma tua indiferença. E sabemos o quanto tenho estado a te chamar por todo esse tempo em que estamos juntos. Chamo-te em vão. Nosso relacionamento não amadurece, não crescemos lado a lado. Tu não vens quando chamo.
Sabes, meu sonho era me responderes com propostas de amor. Ou mesmo queixas de amor. Eu amaria beber tuas lágrimas, se houvesse, ouvir teu lamento, lamber tuas feridas e dizer-te em promessa que tudo ia ficar bem, melhor do que antes, sempre melhor, e dar minha vida para cumpri-la, com genuína vontade de nos tornar um, de crescermos como um e não nos separando cada vez mais a cada tristeza guardada, a cada ferida não tratada. Sem que menosprezes o que digo através de um gracejo para diluir tudo o que te desagrada.
Mas pareces não almejar crescer no amor, através do amor, por amor. Dares-te desprendido como eu anseio intensamente voltar a fazer mas não tenho mais coragem. Te amar loucamente, jogar-me no abismo desse sentimento certa de que cairei em ti. Tu pareces querer apenas que eu me enquadre a ti. Se eu conseguir, obediente, ficas comigo, se não, fim. E não crescemos, não ultrapassamo-nos, simplesmente nos acomodamos no amor.
Diz-me, tu consegues alcançar-me no horizonte? Tu ainda caminhas comigo nessa direção ou seguimos sós? Ainda queres ultrapassar aquela fronteira nunca transposta ambos fundidos um no outro? Habitar a vertigem do dia, onde só raras e privilegiadas almas amantes conseguiram chegar? E voar o vôo eterno dos livres, apenas nós dois? Eu não quero nada senão tudo. Apenas isso espero do amor. O nosso, nenhum outro.

Tua sempre"