segunda-feira, 21 de outubro de 2013

uma outra comunhão

mudança no mundo e a tímida sensação, ainda em análise, de que, como nunca antes, na profundidade e no significado...
meu coração se atentou tão sensivelmente às dores do mundo, às lutas de tantos;
meu olhar tem se aguçado e minhas entranhas se tornado tão intolerantes à injustiça;
me senti tão próxima às pessoas que sofrem, que são oprimidas, roubadas, violentadas, esquecidas, mortas - de tantas formas, lenta e subitamente a cada dia - a cada minuto;
quis tanto estar junto a quem não é aceito e é rejeitado, maltratado, excluído, ignorado e mal suportado por ser diferente, para lutar junto, para reerguer, animar, para defender, reavivar, caminhar.
quis tanto me levantar em nome do outro, que no paradoxo da alteridade amante, sou eu também. 
me senti tão conectada.
fui e quis ser tantas, tão ampla e em expansão.
temi tanto a indiferença e cegueira de que sou capaz.
quis tanto ser a diferença, o contraponto.

nunca pensei tanto a respeito e nunca tive tantas dúvidas sobre como fazê-lo.

"nunca antes". não é uma afirmação, mas uma hipótese, uma suposição. porque ser não é um estado, mas um mover dinânimo e por isso nada sobre mim é categórico, definitivo. as mudanças, então, continuam, do mudar que nos leva a ser mais nós mesmos.
por nova via, uma que não passa pela estrada da aprovação nem pega desvio nos atalhos dos ganhos secundários, cheguei mais uma vez ao mesmo lugar, à mesma vontade, que se faz sonho, como tudo em mim.


não posso crer que não é Ele aqui. 
e o que faço com isso? velhas perguntas renovadas.


a busca.

e cá nos planos pra vida, talvez tudo mude mais uma vez.

"caminante no hay camino,
se hace camino al andar"

sábado, 19 de outubro de 2013

um mês antes



sobre tudo o que moveu em mim, muito a dizer. ainda volto.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

ciclando

sair de casa e interagir para ter o prazer de aquietar, enraizar, ficar.
fechar-me em casa e silenciar para ter o prazer da rua, do encontro com o outro, me dar.
da dubiedade particular: alimentar o entusiasmo de ser com o oposto de tudo.
um pêndulo vivo.

domingo, 6 de outubro de 2013

desconstrução

desfazer-se da esperanças, de sonhos e ideais é despedir-se de si mesmo, como morrer um pouco a cada aceno de adeus. a cada estação da vida, deixar para trás o que te fazia ser. des-ser. ruir.

construir outros no lugar dos que se foram talvez seja renascer.

tempo de sepultamentos.