domingo, 26 de junho de 2011

eu e Ele

"O que o homem chama de tempo,
Deus chama de tratamento"

No divã do Criador.
Depois do diagnóstico, o tratamento, o tempo.
Mais uma mudança em curso, a construção de um novo e melhor jeito de ser, sentir, pensar, agir. Estranhezas, caos temporário, o susto que a novidade traz, a readaptação.
Reflexos na vida espiritual, emocional e intelectual. Repercussão direta na vida prática, diária, nas pequenas e grandes escolhas e decisões do dia a dia, na eleição das prioridades, na medida de dedicação e entrega à vida, na disposição para errar quando tentava acertar, para aprender com os erros, para perdoar, para se expor, para, com menos receios, simplesmente tentar.

Eu só quero que Ele continue, porque não tenho mais medo de ser quebrada para ser refeita em Suas mãos, porque sei que Ele pode fazer de um velho vaso destroçado um novo infinitamente melhor do que o original, porque acho que estou aprendendo a confiar agora. Porque mal começamos.
Estou Contigo e não abro.
És o Oleiro, eu sou o vaso. Pra sempre.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

quem tem medo do tempo?

- Tenho direito a um pedido? Então... não quero ter rugas.

- Eu já peço outra coisa: as rugas certas. As de muitos sorrisos, não de tristeza; as de maturidade, não de sol; as de muita vida, não de cansaço. ;-)

domingo, 19 de junho de 2011

ajo, logo oro

Há momentos em que a melhor e mais importante oração é simplesmente agir, fazer o que é certo, o que é devido, nada mais.
Quero orar assim hoje.



quarta-feira, 15 de junho de 2011

entre mundos

Pessoas superinteressantes. Almas expandidas que me despertam um enamoramento instantâneo, uma paixão, a urgência de conhecer, de saber, saber, saber, descobrir, mergulhar e devorar tudo de novo, belo, rico, complexo, alto e denso que vejo dentro de e ao redor delas. Cada uma é sempre um mundo novo todo envolvente e tudo o que há nele é uma isca pra minha alma, que sempre eu mordo e, então, sou fisgada. Lá dentro navego inebriada, pegando todas as pistas, observando todos os registros, todas as marcas, toda história visível e invisível, essa tão mais interessante e tantas vezes mal disfarçada, todo rastro deixado pelo caminho. São outras referências, outras leituras, outras trajetórias, músicas, cores, livros, ideias, escolhas, sentimentos, fantasias, sonhos, ilusões, enganos, medos e erros diferentes ou até similares aos meus, tanta coisa, tudo... E quando percebo, estou longe, num universo alheio que eu penso queria pra mim, em que eu, creio, até viveria, mas que se situam a uma distância calculadamente perigosa do meu caminho, mesmo que tangenciem meu desejo. Nem tão longe que eu não possa avistar, alcançar e adentrar, nem tão perto que eu possa habitar.
São mundos que tem muito - ou tudo, ainda não sei - do que me encanta, mas lhes falta algo. Não tem o que transcende o finito, o que salta desta vida para o eterno, o que alça uma alma ao mais amplo e elevado grau do viver. São mundos lindos, mas incompletos. Apaixonantes, mas ariscos. Instigantes, mas confusos, errantes. Ainda assim, me atraem de tal modo que eu preciso de toda força racional possível para voltar ao meu e dar lugar certo àquilo que realmente importa pra mim, mesmo que duvidoso ou inexistente pra tantos. Força para relembrar porque eu não os habito, ou porque não construo o meu universo particular como o deles, mas resido aqui, nesse meu espaço ainda mal delimitado, o qual procuro, constantemente, esvaziar de mim para preencher com outro Ser.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

do adoecer

Se tem uma coisa que morde meu orgulho, essa coisa é ficar doente. Raiva mesmo, indignação. Que bela alfinetada na minha justiça própria. Vegetariana, natureba, ativa, lubrificando as engrenagens da máquina regularmente, blablá, como me cuido, oh, como sou perfeita, oh, como eu tento ser!
Aí vem um vírus. Um mísero micróbio querendo tomar meu território, o espaço mais íntimo e restrito que ocupo no mundo, que é o meu corpo. Vem me dizer como sou frágil. Vem me lembrar como sou vulnerável. Vem me pôr no meu lugar.
Com o pouco que sei, consigo identificar cada passo dele nessa empreitada aqui dentro. Percebo quando o corpo sofre o primeiro ataque, reconhece sua presença e então declara guerra. Declaramos!
Chá de tudo o que conheço, alimentação estritamente terapêutica, o subestimado repouso, tão indispensável, soluções, sucos... Cercamos o inimigo por todos os flancos. Investimos todas as nossas armas físicas e psicológicas contra o adversário numa renhida luta, ao fim, gloriosa! Em 8 dias derrotamos o adversário!
E eu saí de cabeça erguida, triunfante, orgulhosa por não ter usado uma droga sequer contra um mal tão banal como uma gripe. Mas, dessa vez, não deixando escapar a lição na qual ainda reprovo: humildade.