sábado, 12 de janeiro de 2008

Enjoei

De mim.
Tentando um novo lema: abaixo a subjetividade. Amputação do próprio umbigo.
Então...
Pausa para mudança.

Se conseguir (ou não), devo voltar para contar.


Coração o quê?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Umbigo

Eu sei, sou mesmo uma alienada. Autista. Vivo num mundo fechado, hermético, privativo demais, impermeável, quase incomunicável com a vida real. Praticamente uma pteridófita. Estéril. "Sem os pés no chão". Vivo fora de tudo, vivo tudo pra dentro. E não dá pra disfarçar tanto quanto eu gostaria.
Mas talvez valha dizer não é o que gosto de ser e que não fui - nem serei - sempre assim.


Coração estrangeiro.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Lar

Eu acho que existe mesmo uma idade de se ter a própria casa. E pelo que tenho sentido, não se deve em nada a imposições sociais, a nenhuma cobrança por demonstrações de independência, autonomia, maturidade, essas coisas que esperam de nós a uma certa altura da vida. É um sentimento que surge por dentro mesmo, devagar, à medida que viramos 'gente grande'. Eu sinto isso. Sinto uma necessidade muito grande de ter o meu lar (adoro essa palavra), do meu jeito, sob a minha responsabilidade, administrado e cuidado por mim. Sinto essa precisão* de fazer um lugar pra mim no mundo, sobretudo por eu ser tão caseira, tão mais para dentro que para fora. Porque aqui com a mãe nada é do meu jeito e nem o posso impôr. Nem devo, embora, às vezes, em pequenas coisas (bem, um lar é todo feito de pequenas coisas) acabe por fazê-lo e de forma meio atrapalhada. Então eu fico querendo montar um quarto-mundo. Vivo sonhando com o quarto que eu espero ter enquanto viver aqui, antes da minha casa existir. Eu o monto e remonto infinitas vezes na mente. Como faço com toda a minha vida, aliás. Mas aí esbarro na porta fechada do dia: la plata. E vem-me a sensação de ser interrompida, dessa porta ainda fechada para tantas pequenas realizações que me fariam feliz.
Assim, há que se ter paciência. Nada de pressa. Hoje eu compro só a estante nova. E já fico bem feliz.

* 'precisão' parece mais forte, maior que 'necessidade'

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Códigos

Num intervalo de uma semana ouvi de 3 pessoas distintas que uso uma linguagem cifrada. Uma disse-me exatamente isso, que falo em códigos, outra disse-me que converso comigo mesma e a outra somlesmente disse que não entendia o que eu falava. E em todas as vezes eu falava de sentimentos, os meus.

ai.

Do amor

Fico sempre pensando no amor. E pensando nele como troca entre duas pessoas. Eu sei que há o amor gratuito, abnegado, que não espera nada - ou, ao menos, sobrevive sem receber nada - em retribuição, como o amor de pais e mães por seus filhos. Mas sei também que em outros amores entrega-se a si mesmo por haver prazer na entrega, mas guardando-se também uma expectativa de ser bem recebido aquilo que se dá e talvez receber algo vindo de quem tanto se amou. Eu ficava bem confusa nessa parte. Porque achava que o 'verdadeiro amor' é auto-suficiente, não espera nadinha em troca da doação de si mesmo. E achava também que esperar reciprocidade é negociar o amor, é torná-lo moeda para comprar o que se precisa, seja carinho, atenção, consolo, segurança, qualquer coisa, até o próprio amor. Achava que era deficiente esse amor sentido assim, cheio de expectativas. Achava que era até doente aquele que o sentia. Pobre ser humano esse tão carente de tudo, que quer comprar amor com o suposto amor que sente, que ama pra sentir-se amado. Assim eu pensava. Há esses, sim. Mas o sintoma da 'doença' não é a expectativa. Essa é saudável. Até Deus, que é o próprio amor, que ama incondicionalmente, espera nosso amor por Ele, vive esperando que O amemos, mesmo do nosso jeito torto. Por outro lado, não será doentio o amor - humano - que esvazia uma pessoa inteira sem que esta nada receba de quem é tão amado pra refazê-la? Pais e mães doentes? Não, é amor de verdade, sim, mas outra forma de amor, superior, o desenvolvimento máximo da capacidade de amar humana, quando se chega mais perto do amor de Deus.
Uma vez ouvi psicanalistas falando de relacionamentos segundo Lacan. Falavam mais ou menos isso, angústia e preenchimento na troca relacional. E já me disseram também que Freud falou algo assim, que o que damos, mesmo que seja um simples elogio a alguém, tiramos de nós, subtrairmos do que somos, portanto, faz-nos sentir menos inteiros, à espera de nova completude.
Eu não sei o que é certo ou errado, verdadeiro ou falso em tudo isso, mas sei que me sinto exatamente assim quando amo. Preencha-me.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Madrugadas

Ando de volta às madrugadas de uns anos atrás. Os dias têm sido tão quentes e eu tenho estado tão limitada por este pé quebrado que as madrugadas voltaram a ser mais agradáveis com seu silêncio e a brisa fresca. Solidão de paz.
Violão ressuscitado, dedilhando baixinho, sussurrando umas canções.
Caderno e caneta sempre à mão. Anotando pensamentos, essas sensações. Essa mania de registrar.

E um otimismo meio tímido aqui. 2008 começou. Adoro começos. Um sorriso na alma, apesar de alguma apreensão por alguns novos pequenos planos e pelo grande sonho, o mais esperado, o mais desejado, o maior de todos, que será real.
Respiro fundo.
Vai, vida! Vamos!

E como sempre(ainda bem), eu agradeço.