Fica o nó na garganta de um grito preso, do choro contido, da indignação, um desespero e a saudade cada vez maior do Lar que ainda não conheci, o meu País.
Andando por aí, por mim e nEle, observando, absorvendo. Tudo é sempre novo - e estranho - aqui e no mundo. Notas de espanto, porque todo dia nasço.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
há um país...
Ele tinha receios e estava certo.
Fica o nó na garganta de um grito preso, do choro contido, da indignação, um desespero e a saudade cada vez maior do Lar que ainda não conheci, o meu País.
Fica o nó na garganta de um grito preso, do choro contido, da indignação, um desespero e a saudade cada vez maior do Lar que ainda não conheci, o meu País.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
paixão define
meu amor
esta é a última oração
pra salvar seu coração
coração não é tão simples quanto pensa
nele cabe o que não cabe na despensa
cabe o meu amor
cabem três vidas inteiras
cabe uma penteadeira
cabe nós dois
cabe até o meu amor
Para cantar e rodopiar de olhos fechados até voar... de mãos dadas com alguém.
Update: E mais um vez Mary W. resumindo o que nos soubemos explicar sobre o que importa. Linda.
domingo, 15 de maio de 2011
helianthus annus
eu e meus clichês.
amo girassóis, essas poesias do Criador. a flor do sol, perseguindo-o, cultuando-o, hipnotizada, presa ao chão, sem poder nada além de amá-lo platonicamente e imitá-lo tanto quanto pode... como não se encantar?
hoje voltei os olhos pra eles mais uma vez e o espanto me assaltou novamente. que lindo, que lindo!
porque é como me sinto, um girassol, voltado para tudo que amo, um Teu girassol.
plantei umas sementes para sê-lo mais enquanto rego a vontade de germinar, crescer e desabrochar.
amo girassóis, essas poesias do Criador. a flor do sol, perseguindo-o, cultuando-o, hipnotizada, presa ao chão, sem poder nada além de amá-lo platonicamente e imitá-lo tanto quanto pode... como não se encantar?
hoje voltei os olhos pra eles mais uma vez e o espanto me assaltou novamente. que lindo, que lindo!
porque é como me sinto, um girassol, voltado para tudo que amo, um Teu girassol.
plantei umas sementes para sê-lo mais enquanto rego a vontade de germinar, crescer e desabrochar.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
dual
eu sou do dia. quando eu preciso de movimento e atitude, quando faço planos e preciso ser racional, ser prática, agir e resolver a vida. sou do sol, do girassol, sou do céu azul limpinho, das nuvens que desenham pra mim. sou dos encontros, das gentes, da voz alta e da gargalhada. de adorar acordar com o sol na cara e até ter um ritual bem compassado para se levantar bem: ouve a música, os pássaros, senta na cama, abre a cortina, bebe água, sente o clima, vê o céu, o cão, espreguiça, alonga, canta ou grita e agora, sim, bom dia.
eu sou da noite. quando eu preciso escrever e refletir, ler e sentir. quando escolho sonhar acordada, quando busco a marcha lenta da vida, quando tenho ideias, quando quero criar, recortar, costurar, tocar e fazer qualquer coisa para as quais os afazeres do dia não dariam espaço. sou da noite da via láctea brilhante, da lua cheia ou sorridente, do céu quebra-cabeça de constelações, do silêncio, da oração em voz baixa de olhos abertos, da solidão boa de estar em minha própria companhia e na Sua, do bom sono, mas de lutar contra ele por dó de perdê-la, a noite.
mas sou também da transição, da viração do dia, de cada nascer e por-do-sol, do arrebol, da aurora, esses momentos de vertigem do tempo, em que não é dia nem noite, não é nada, é só uma passagem, é só a ponte entre duas faces do tempo e de mim.
eu sou da noite. quando eu preciso escrever e refletir, ler e sentir. quando escolho sonhar acordada, quando busco a marcha lenta da vida, quando tenho ideias, quando quero criar, recortar, costurar, tocar e fazer qualquer coisa para as quais os afazeres do dia não dariam espaço. sou da noite da via láctea brilhante, da lua cheia ou sorridente, do céu quebra-cabeça de constelações, do silêncio, da oração em voz baixa de olhos abertos, da solidão boa de estar em minha própria companhia e na Sua, do bom sono, mas de lutar contra ele por dó de perdê-la, a noite.
mas sou também da transição, da viração do dia, de cada nascer e por-do-sol, do arrebol, da aurora, esses momentos de vertigem do tempo, em que não é dia nem noite, não é nada, é só uma passagem, é só a ponte entre duas faces do tempo e de mim.
domingo, 8 de maio de 2011
carro de estimação (ou como transformo tudo em afeto)
Agora eu tenho isso: me apeguei a um carro velho, o nosso carro, exatamente como o meu irmão. A mãe quer vendê-lo e eu fico impedindo-a até que - em breve, espero - eu possa comprá-lo. Eu mesma o lavo como se fosse dar carona pro Papa. Compro acessórios, pecinhas, produtos de toda sorte pra deixá-lo "jovem", bonitão, pra valorizá-lo, pra demonstrar meu cuidado.
E, claro, como é de praxe por aqui, construí toda uma história emocional com ele.
Foi com ele que os três filhos aprendemos a dirigir. Há lá marquinhas dos erros de cada um na sua lataria.
Fomos seus únicos donos. Ele é da família.
Ele foi minha casinha nos dias mais corridos de anos atrás, quando nele eu dormia, lanchava, estudava e cortava a cidade de um lado a outro entre casa, faculdade e trabalho.
Com ele descobri como adoro dirigir e meu desejo de pegar estrada pra longe, passeando por aí, só ganhou mais força com o tempo. Nosso primeiro trecho de autoestrada foi de 17km, depois de 40km e cada vez mais longe.
Nele refleti bastante sobre nosso estilo de vida, o isolamento urbano de cada um, sobre a agressividade manifestada no volante por muitos e às vezes por mim, a minha pressa imotivada, e passei até a exercitar minha mansidão ao dirigir devagar.
Com ele tive mais oportunidades de ser útil, levando e trazendo gente pra lá e pra cá, socorrendo vizinhos da espera quase eterna no ponto de ônibus aqui do bairro, exercitando e aperfeiçoando à força a cara-de-pau na hora de pedir uma ajuda pra "gasosa"...
Com ele fiquei até mais tarde com os amigos, pude aproveitar mais sem culpas ou preocupações.
Já sei seus macetes todos e seus defeitinhos só o deixam mais personalizado. As portas traseiras que emperram e ninguém consegue abrir sozinho, o cinto-de-segurança do carona que só destrava na minha mão, a gambiarra na porta do porta-mala que não ficava mais em pé sozinha.
Sei como ninguém qual é o limite da reserva do tanque de combustível e aprendi com ele que andando devagar a gente vai mais longe, literalmente.
Esse carro me leva aonde eu precisar, gasta o básico referente à manutenção. Não enxergo motivo forte o bastante, que não seja uma mera convenção consumista, para me convencer a trocá-lo por outro agora. Daí que, além de tudo, com ele, um carro de 1998, eu manifesto, ainda que - convenhamos - timidamente, meu anticapitalismo, minha resistência ao consumismo, ao que dita o mundo sobre o que é viver bem, ser bem-sucedido, ser moderno, enfim, sobre o que é importante.
E isso tudo tem alguma coisa com o meu pai que eu não sei bem o que é, mas sei que toda vez em que eu estou lavando-o, e muitas vezes quando manobrando (o pai é mestre), quando inventando novos caminhos para chegar no mesmo lugar (a bússola intuitiva do pai nunca erra), eu lembro dele. Acho que é porque eu o ajudava às vezes a lavar o carro aqui em casa quando era pequena, naquela mesma garagem. E, talvez, também porque o pai é desses que se orgulha de ter algo antigo e bem cuidado, o que carrego comigo também. Aí olho pro carro, faço planos em mantê-lo bem cuidado, dirijo-o e penso, lá no fundo do meu inconsciente: o pai vai gostar*.
*Eu dou tantas voltas na vida e no pensamento, faço e planejo tantas coisas diferentes para, no fim, chegar (ou partir do) no mesmo lugar, esse amor por meu pai.
E, claro, como é de praxe por aqui, construí toda uma história emocional com ele.
Foi com ele que os três filhos aprendemos a dirigir. Há lá marquinhas dos erros de cada um na sua lataria.
Fomos seus únicos donos. Ele é da família.
Ele foi minha casinha nos dias mais corridos de anos atrás, quando nele eu dormia, lanchava, estudava e cortava a cidade de um lado a outro entre casa, faculdade e trabalho.
Com ele descobri como adoro dirigir e meu desejo de pegar estrada pra longe, passeando por aí, só ganhou mais força com o tempo. Nosso primeiro trecho de autoestrada foi de 17km, depois de 40km e cada vez mais longe.
Nele refleti bastante sobre nosso estilo de vida, o isolamento urbano de cada um, sobre a agressividade manifestada no volante por muitos e às vezes por mim, a minha pressa imotivada, e passei até a exercitar minha mansidão ao dirigir devagar.
Com ele tive mais oportunidades de ser útil, levando e trazendo gente pra lá e pra cá, socorrendo vizinhos da espera quase eterna no ponto de ônibus aqui do bairro, exercitando e aperfeiçoando à força a cara-de-pau na hora de pedir uma ajuda pra "gasosa"...
Com ele fiquei até mais tarde com os amigos, pude aproveitar mais sem culpas ou preocupações.
Já sei seus macetes todos e seus defeitinhos só o deixam mais personalizado. As portas traseiras que emperram e ninguém consegue abrir sozinho, o cinto-de-segurança do carona que só destrava na minha mão, a gambiarra na porta do porta-mala que não ficava mais em pé sozinha.
Sei como ninguém qual é o limite da reserva do tanque de combustível e aprendi com ele que andando devagar a gente vai mais longe, literalmente.
Esse carro me leva aonde eu precisar, gasta o básico referente à manutenção. Não enxergo motivo forte o bastante, que não seja uma mera convenção consumista, para me convencer a trocá-lo por outro agora. Daí que, além de tudo, com ele, um carro de 1998, eu manifesto, ainda que - convenhamos - timidamente, meu anticapitalismo, minha resistência ao consumismo, ao que dita o mundo sobre o que é viver bem, ser bem-sucedido, ser moderno, enfim, sobre o que é importante.
E isso tudo tem alguma coisa com o meu pai que eu não sei bem o que é, mas sei que toda vez em que eu estou lavando-o, e muitas vezes quando manobrando (o pai é mestre), quando inventando novos caminhos para chegar no mesmo lugar (a bússola intuitiva do pai nunca erra), eu lembro dele. Acho que é porque eu o ajudava às vezes a lavar o carro aqui em casa quando era pequena, naquela mesma garagem. E, talvez, também porque o pai é desses que se orgulha de ter algo antigo e bem cuidado, o que carrego comigo também. Aí olho pro carro, faço planos em mantê-lo bem cuidado, dirijo-o e penso, lá no fundo do meu inconsciente: o pai vai gostar*.
*Eu dou tantas voltas na vida e no pensamento, faço e planejo tantas coisas diferentes para, no fim, chegar (ou partir do) no mesmo lugar, esse amor por meu pai.
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