segunda-feira, 27 de maio de 2013

escolha

de um lado, o amor clandestino. quase perfeito. e dolorido, tão dolorido. que não se encaixa, não se adequa a nada, não cabe, que não se concilia com o resto da vida e da verdade crida. fadado ao disfarce, ao cárcere privado, às restrições de toda ordem. e lindo, tão lindo. intenso, sincero, sedento.
mas não só. roubaram-lhe a pureza. ele foi tudo por um tempo, perfeito, mas já não é, só aqui dentro. se antes seu único obstáculo fora o mundo, hoje também lhe é a crueza da humanidade. se antes sua perfeição fora oferecer tudo, preenchendo todos os vazios, hoje traz em si incerteza, medo, insegurança. traz solidão, da qual pensava estar fugindo. hoje doi mais, doi além.

de outro, o amor invisível. perfeito em si, imperfeito em mim. e dolorido, tanto ou mais que o alternativo. é presente, embora nem sempre sentido, é passado próximo vivido, remoto herdado e garantido e é principalmente promessa, futuro certo. oferece tudo e pede tudo. morre por mim e me pede a morte para mim mesma. que temo, que doi tanto. 
é, afinal, o amor dos meus melhores sonhos, apaixonado, desmedido, capaz de tudo. o amor que quero, anelo, busco, espero, temo e que, vejo tão bem hoje, não sei viver. um salto no abismo. cair, para, então, voar. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

solidão, para me tornar sólida

agora é isso, nunca a senti tão nítida, tão clara, não bem definida de forma e conteúdo, tão funda. antes era um vazio sem nome, sem significado, sem razão de ser, hoje é isso o tempo todo em que não estou empenhada em me fazer esquecer em momentos de distração, fuga ou genuína alegria. é sobretudo daí que vem a confusão desses dias, meu barco sem vela, sem rumo, à deriva no mar de ser. pensava ser uma necessidade aprender a conviver e lidar com essa realidade (nem sempre só sentida) para sobreviver, mas não faço ideia do que fazer com ela. e já não sei também contê-la, negá-la ou ao menos escondê-la.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

falso silêncio

falsa ausência.
diariamente aqui, porque a catarse é terapêutica e eu simplesmente não me aguento se não me expressar de alguma forma. medo de implodir.
e sobram anotações espalhadas em qualquer papel que haja à mão. a mais antiga conhecida data dos 11 anos, no caderno de receitas da mãe. a cartas vieram antes, assim que aprendi a escrever. e guardanapo, post-it, papel de pão, caderno de estudo, boleto bancário, margem de livro, agendas, cadernos anuais de anotações e impressões, etc, se multiplicam desde então.
há 2 décadas usando a palavra para desafogar, para aliviar, para continuar, para (sobre)viver.