sábado, 26 de julho de 2008

hoje o tempo voa, amor (anotações)


Escorre pelas mãos.

Quem não tem essa sensação?
Difícil passar ileso pelo mundo. Não ser conduzido, induzido, contaminado, manipulado, iludido, enganado. Fizeram o tempo voar e eu não consigo acompanhar. E eu não consigo me tranqüilizar.

Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou...

E eu querendo viver 100 anos "para dar tempo de tudo". Uma sensação pontiaguda de tanto tempo perdido até aqui, à beira de 3 décadas de existência, pela doença, pelo autismo, pela insegurança, pelo que não sou. Mais a obrigação auto-imposta de me ressarcir, o senso de dívida comigo mesma, com eles e com Ele.

Mas temos muito tempo, temos todo tempo do mundo...

É a vida moderna, a quantidade enlouquecedora de informação a que temos acesso e que não conseguimos digerir, a pressa para alcançar o que quer seja, 'chegar lá', a minha dificuldade de eleger prioridades, querer engolir o mundo com a boca de uma vez só e por isso mesmo não conseguir nem um ínfimo pedaço digerível dele. Tudo chamando minha atenção ao mesmo tempo, tudo me chamando para ver, para saber, para descobrir, para viver, para ser e eu como um radar desgovernado. Do tudo, nada fica, nada absorvo, nada sou.

Sempre em frente
Não temos tempo a perder...


O tudo que atrai é o que distrai.
Eu enxerguei a pós-modernidade ontem.
Lembrar que a cada escolha, uma renúncia se exige. Simples assim.
Abrangência ou profundidade?
Suspeito que seja mais saber que viver o que me impacienta, me angustia.

Temos nosso próprio tempo...

Somos reféns.

Somos tão jovens...

Quero paz.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

semeadura

sedimentando a semana de oração e meditação. orando por quem nem me conhece. sendo movida a isso.
medo da confusão no coração. interesse e misericórdia.
mudança por dentro. ELE. novos hábitos sendo construídos. um homem que passou por aqui trazendo-O e movendo tudo.

sábado, 19 de julho de 2008

Uma semana

Semana intensa. Noites cheias de palavras de vida, ditas por alguém que se dispôs a servir. Inspiração. Dias de intensa reflexão, mas não em silêncio. Gente ao redor. E um congestionamento interno acontecendo, coisas que não são totalmente assimiladas com a mesma velocidade com que se acumulam por dentro.
Em mim, um chamado: joelhos. Não é força, não é coragem, não é fidelidade, não é nem fé, é só uma imposição da minha alma hoje. Não sou eu, afinal.
No mais, levará algum tempo para eu entender o que realmente se passou. Tempo para elaboração. Repetir, recordar, elaborar.
Ao meu desejo, a promessa: "eis que faço novas todas as coisas". A Ele, o eterno "muito obrigada".
Espero ainda poder entender e dizer melhor sobre esses dias.

domingo, 13 de julho de 2008

me olha direito

para elaborar:
o que sua roupa diz sobre você?
qual a sua verdade?

terça-feira, 8 de julho de 2008

Preguiça de gente

Faz uns dias que um mesmo assunto permeia as conversas que tenho com diferentes pessoas: relacionar-se dá trabalho. É preciso uma dose de dedicação, de tolerância, paciência e bla bla blá. O problema é: quem está realmente disposto a isso hoje (a gente fala hoje porque é o hoje que conhecemos e a comparação com tempos idos se dá por intuição, suposição e, na melhor das hipóteses, dedução)?
Gente dá trabalho.
Tem um moço carente no grupo e todo mundo corre dele. Aí alguém falou em voz alta uma coisa difícil de ouvir, que as pessoas só estão dispostas a ajudar a outras se para isso nada doer nelas mesmas, se nada incomodar. E ajudar inclui relacionar-se.
Alusão necessária ao hedonismo, filosofia de vida predominante ao redor, com direito à campanha publicitária permanente e tudo. É só parar para ouvir, para ver, vale qualquer coisa para "ser feliz", para seu bem-estar pessoal e isso inclui uma gama inesgotável de pequenas(sempre com a máscara de inofensivas) e grande coisas. A aplicação diária de "o fim justifica os meios" no âmbito da vida privada, dos relacionamentos pessoais.

(Nossa. Esse assunto dá pano pra manga...)

De minha parte, fui contaminada pelo desapego, mas tento usar a razão e me guiar por princípios para não ficar cega para a gente que me cerca. Tento. Deixo falar a intérprete: "Às vezes, me dá enjôo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta. E e só." (Lispector) Infelizmente, é só. Longe, tão longe do ideal.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Essa pressa

Quarenta minutos limpando verduras. Pensando que é por isso que não dá pra se dar o luxo de cozinhar pra si próprio diariamente. O tempo, o tempo. Aí uns podem dizer "tanto a fazer, a produzir, blá blá blá..." Verdade, mas eu não posso. Porque desperdiço tempo com tantas coisas inúteis, muitas até nocivas à minha alma, que esse argumento se perde.
E essa coisa do tempo é mais um dos meus estranhamentos nesse mundo. Conseguiram incutir em nós uma pressa, uma urgência que vem não sei de onde. Ou sei. Fato é que ninguém tem o direito de seguir a vida, descobrir o mundo e amadurecer no seu próprio tempo sem ser julgado por isso, sem se sentir um retardado, na acepção mais pejorativa do termo.
Acho que é uma pressa meio parente daquela nossa velha conhecida, a contagiante, onipresente e triunfante competitividade, nem que para esse triunfo o adversário em vista tenha de ser você mesmo.
Essa pressa não é minha e eu nunca tive espírito competitivo na vida.
Tudo isso só pra confirmar mais uma vez que eu não sou daqui. Ou para eu me convencer de que eu não vou me adaptar mesmo.