quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2010

Foi um dos anos mais compridos da minha vida. Olho pra trás e ele me confunde, parece dois ou três.
As resoluções de ano novo foram tomadas no decurso do ano velho, e essa será a marca de 2010.
Por ora, sossego e gratidão. Foi bom.

E pro novo ano, um sentimento:

"Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará"
(Ef 5:14)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

lembrete



(e a cada dia eu tenho mais certeza: meu anjo da guarda navega comigo na web. thnx, parceiro.)

domingo, 5 de dezembro de 2010

dispersa e estabanada

. preparo um copo de suco para tomar um remédio amargo. saio com o copo e só depois de tomado todo o suco me lembro que faltou o remédio.
. deixo pela casa biscoitos, pães e frutas mordidas, comidos pela metade, esquecidos quando distraio-me com outras coisas.
. esqueço o celular em casa ou em qualquer outro lugar dia sim, dia não. ele já esteve perdido por vários dias, para depois ser reencontrado no carro, no fundo do sofá, na mochila, entre os travesseiros, no bolso da calça que foi ser lavada, na gaveta do trabalho, etc., inúmeras vezes.
. começo a escrever emails a amigos, não os termino e só me dou conta disso dias, semanas e até meses depois, quando os reencontro inacabados na pasta de rascunhos.
. tv ligada na entrevista, revista no colo na notícia e no pc várias janelas de bate-papo abertas. simultaneamente.
. começo a ler vários livros ao mesmo tempo e depois não consigo escolher em qual deles prosseguir a leitura.
. sempre tenho um hematoma pelas pernas, fruto de topadas e esbarrões nos móveis ao meu redor.
. se preparo um lanche pra comer na sala enquanto assisto à TV, vou devidamente munida de prato e guardanapo para não deixar rastro no ambiente. mas logo eu me distraio, derrubo o prato, deixo cair o guardanapo e esparramo farelos por todo chão e sofá.
. faço várias coisas ao mesmo tempo, e geralmente esqueço alguma(s) dela(s) inacabada(s).

dá bem pra se irritar, viu.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

um resumo

arte de Valéria C.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

diagnóstico

Eu quis saber de uma vez por todas se essa coisa que eu sou era defeito de caráter mesmo ou se era doença. Só queria saber se tinha cura, solução. E daí que, depois de uns 10 anos perdida pra dentro, eu descubro que nunca foi depressão o nome do que eu tinha. Pelo menos, não a princípio. É ansiedade.
Me emocionei ao entender mais detalhes sobre fobia social e ver na descrição de uma doença meu comportamento esmiuçado, minha vida inteira ali relatada em inumeráveis situações que me voltam à mente como relâmpagos, vividas desde a mais tenra idade. A mais tenra.
Um medo irracional - mas que em alguns momentos me convenci serem justificáveis - de ser avaliada e reprovada em quase todas as situações sociais de desempenho. A insegurança patológica.
Todas as vezes em que tive sucesso em algo que fiz ou estive em posição de destaque na vida eu tropecei no passo seguinte e estraguei tudo EXATAMENTE POR CAUSA DISSO. Ser bem-sucedida sempre me foi mais sofrido, porque exageradamente estressante, do que o contrário. Alto índice de evitação da vida, porque qualquer pequeno empreendimento é sempre um desafio grande demais, aparentemente invencível.

Meu Deus.
Senhor.

Por quantos médicos eu já passei? Por quantos psicólogos? E ninguém percebeu do que eu sofria realmente. De repente, eu olho para trás e consigo compreender quase todas a escolhas que eu fiz e que eu mesma não entendia à época.

E 2010 marcando meu tempo, quiçá fechando um ciclo. Meus 30 anos.


Coroados com mais um marcante email do meu pai:
"(...) HOJE (...) SOLICITEI A DEUS, O GRANDE LIBERTADOR DOS GRILHÕES QUE NOS ESCRAVIZAM (PSICOLOGICOS), QUE VENHA A DAR A VC UMA LIBERDADE DE SER ÚNICA, MINHA FILHA.
SEI QUE PASSAMOS POR DIVERSOS PERIODOS DE DESERTO (ESCRAVIZAÇÃO); PROFETIZO NESTE MOMENTO NA SUA VIDA QUE VC ESTÁ E SEMPRE SERÁ LIVRE EM NOME DE DEUS (LEVANTA E ANDA EM NOME DE JESUS!!)
(...)

TE AMO (...) EM NOME DE DEUS, TENHO FÉ QUE IREMOS VIVER UM NOVO TEMPO EM NOSSAS VIDAS."
Amém, pai. Amém, Pai.

domingo, 21 de novembro de 2010

toque

Flor de melancolia.
Um poema de Vinícius. Tocou-me em algum lugar.

sábado, 20 de novembro de 2010

porque sou Zumbi

Consciência negra não é apenas uma questão política pra mim, é um assunto pessoal, porque é parte importante da minha formação, da minha identidade. Fui criada para ter essa consciência e agir de acordo com ela, não para ignorá-la e me abster de posicionar-me. Sou filha, neta e bisneta de negros e a cor da pele fez a diferença na história da minha família e na vida de cada um de nós. Fomos escravos, mucamas, ama-de-leite, lavadeira, operário e... médico. Meu pai é o Zumbi da família, o primeiro dela a quebrar o ciclo da servidão e a escrever uma história diferente da prevista. Cresci ouvindo suas histórias de luta e vitória contra cada barreira que o preconceito lhe impôs. E foi só depois dele que irmã, primos, tios, sobrinhos e filhos começaram a fugir também. Somos uma família de quilombolas, uns mais livres que outros, uns mais conscientes que outros, mas todos na luta, porque a resistência continua.




Zumbi foi morto em combate em 20 de novembro de 1695 e sua cabeça foi exibida em praça pública a fim de coibir novas revoltas e fugas entre os escravos. Mas o efeito foi oposto, despertando em muitos a consciência de que era preciso lutar contra a escravidão e as desigualdades como Zumbi ousou fazer, e permanece até os dias de hoje.

20 de novembro

Aqui não é diferente.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

sussurros II

você viu ela chegando? dessa vez eu não percebi, te juro. veio mansa, disfarçadamente. porque se eu vejo ela de longe dou logo um jeito de escapar, você sabe. demorou, mas aprendi.
nos conhecemos há anos, mas ela não entende que não somos amigas.
agora é todo aquele trabalho para me livrar dela pela enésima vez...
melhor começar rápido antes que ela se acomode, porque aí o trabalho é dobrado.
me ajuda, vai. com você vai ser bem mais fácil.
e se alguma vez você a vir se aproximando antes de mim, me avisa, por favor! 
porque eu vou ter que vigiar pro resto da vida. 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Para ser grande

Reli hoje essa poesia que me remete a uns 6 anos atrás, quando eu me alimentava quase diariamente das palavras de F. Pessoa, época em que eu me identificava demais com Álvaro de Campos no seu supremo cansaço de sentir tudo. Me lembro bem de quando a ouvi declamada por Maria Bethânia e fiquei estupefata. Saber que esse é um princípio biblico torna-a ainda mais tocante.

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis
(Fernando Pessoa)

Mais um reencontro desses dias tão diferentes: eu e a poesia.

domingo, 7 de novembro de 2010

chorei junto


"Esta fotografia é eloquente por si só. Vale por um discurso inteiro, ou por um paper do Ipea. Por esta imagem pode-se compreender um pouco dos 83% de popularidade de Lula hoje.

O nome desta senhora, ex-favelada do Rio de Janeiro, é Corina Edelvina Bento. Ela chora de emoção e sacode as chaves de sua casa nova, ao mesmo tempo que é beijada pelo presidente Lula. Dona Corina morava numa favela em precárias condições, e agora é uma das beneficiárias do programa Minha Casa, Minha Vida.

A fotografia é tão (politicamente) persuasiva que não foi publicada em nenhum jornal do Brasil, por razões óbvias. Foi publicada - acreditem - no The Wall Street Journal, de propriedade do grupo midiático de Rupert Murdoch, que também detém o controle da famigerada Fox News, apoiadores do republicanismo conservador e do Tea Party.

A fotografia foi tirada no dia 25 de outubro último, por Felipe Dana da AP."
Cristóvão Feil


tive que postar. porque não é só política pra mim, são pessoas. e meu coração também.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

o bonde da História

Daqui a uns 50 anos é provável que perguntem: "o que estava fazendo quando foi eleita a primeira mulher presidente do Brasil?" E eu vou lembrar que...
A campanha foi das mais difíceis que eu já havia vivido até então, porque foi a eleição da minha primeira despedida emocional da política (porque agora entendi que esse processo durará muito mais tempo do que eu imaginava). Percebi menos sexismos do que eu imaginava ver, talvez porque duas das melhores candidatas eram mulheres, o que deve ter calado a voz do mais cego machismo. E eu pude votar nas duas.
Os temas religiosos pautaram grande parte dos debates e isso me assustou demais. Vislumbrei o futuro já predito bem diante dos meus olhos.
Foi a eleição em que eu esbocei uma tentativa, ainda insegura e tímida, de rever meu posicionamento político na sua raiz para conciliá-lo com a minha fé racional, embora tenha terminado o período sem conseguir fechar a questão sobre isso. Sobram elucubrações, profundas reflexões, perguntas sem respostas e nada conclusivo até então. Meu ser em construção.
E eu quase não tinha com quem conversar a respeito disso tudo, ninguém ao meu redor para compartilhar minhas impressões e interrogações, porque parecia que ninguém entendia. Foi minha eleição mais solitária, sofrida e mais interneteira que a de 2006.
O dia de eleição foi inteiro chuvoso, em meio a um fim-de-semana feriado, o que deve ter contribuído para mais uma alta taxa de abstenção. Veio bastante gente almoçar aqui em casa e eu estava irritadiça, inquieta, mal consegui sociabilizar, talvez pelo isolamento político em que me encontrava. Quando eu fui votar não havia ninguém na minha seção, não encontrei ninguém conhecido, a chuva estava forte, foi muito rápido, mas eu senti de novo aquela emoçãozinha ali, coisa que não sei explicar de onde vem, de quem herdei, quem me ensinou.
Não quis acompanhar a apuração, ao contrário do que fiz no primeiro turno, num tremendo esforço para não me envolver ainda mais com tudo isso vendo as comemorações, os comentários, as análises, etc., que me fisgariam pelo fígado, como sempre, porque decidi que simplesmente não quero mais taquicardizar por causa de política. Depois de beber uma taça de vinho(!) propositadamente, dormi até o dia seguinte. Mas bastou que eu conferisse as notícias depois para meus olhos marejarem enquanto tentava lê-las. Acho que nunca serei indiferente.

A primeira mulher presidente do Brasil. Quantas barreiras foram transpostas para isso ser possível? Quantos nãos expressos ou implícitos tiveram que ser ignorados para ela chegar até lá? De quantas pequenas vitórias é feita essa vitória?
Enquanto o bonde da História passa na estação da sua vida, o que você faz? Sobe? Pára para assisti-lo passar da sua janela? Ou nem o percebe, tão ocupado que estava com seus afazeres?

De sociólogo para operário, de operário para mulher.
Um arrepio me dá saber que vivo um momento histórico. E que, de alguma forma, eu participei disso.*
Eu subi.

*com inúmeras contribuições de Mary W., que já há um bom tempo tem me feito perceber por essa ótica o tempo em que vivemos. obrigada.

update 07.11: acaba de me ocorrer, um pouco tardiamente, que essa vitória, em se tratando da questão de gênero, não foi pura, feminista na essência, e que talvez tenha sido, digamos, maculada por ter sido, desde a sua origem, uma candidatura proposta, avalizada e por todo o tempo sustentada pela forte figura de um homem, considerado por muitos o grande ganhador desse pleito, a exemplo da Kishner na Argentina. hm...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

mundo, mundo, vasto mundo

"Por isso que quero viajar, conhecer gente de outros lugaresos livros e docs da TV chegam na sua cara, a gente começa fazer parte do mesmo mundo e os assuntos do Céu fazem mais e mais sentido."
Num papo via email, por C. Adalgisa.
Nada a acrescentar. É isso.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

saiu hoje na Folha, mas vi primeiro no NPTO
altamente significativa no contexto da campanha atual.
era pra ser assim.
achei tão bonito. com um gosto de utopia...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

prazeres simples

eu tinha me esquecido do quanto gosto de conhecer pessoas e fazer amigos. tinha me esquecido do quanto estender minha rede social através da conversa, da cooperação, da troca e dos sorrisos faz eu me sentir viva. tinha me esquecido de que isso já tinha sido minha característica mais marcante. e ainda não me lembro onde e como eu deixei isso me escapar por tanto tempo.


...


é que hoje eu me senti superviva de novo revivendo esse prazer tão simples.
alvíssaras: algo me diz que estamos de volta, a todo vapor.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

mais amor, por favor

por Ygor Marotta, grafiteiro de SP.
endosso e acrescento: a começar por mim.
tô sentindo falta mesmo.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

armadilha

"se possível fora, enganaria até os escolhidos" (Mt 24:24)


começo a achar que é bem mais difícil estar certo do que estar errado. talvez porque eu já esteja acostumada a estar errada e nessa condição, qual risco corro? nenhum. me restam as consequências do erro, seja ele uma opinião, uma atitude, uma escolha. resta o arrependimento, a correção, o reparo do dano, tanto quanto esse é possível. mas quando certa, os riscos, altos, surgem. o que vou fazer com a razão que tenho comigo? vou usá-la contra quem está errado? vou me armar com ela? ora, quem se arma se prepara para uma briga. e eu preciso realmente 'derrotar' quem está errado? preciso triunfar?
empáfia, o altar do ego. percebi, então que, quando se está certo, o maior e mais difícil desafio à frente é manter a humildade, o atributo do caráter mais esquecido e desconhecido, mais mal-interpretado e confundido, o mais raro de todos. porque sem ela, vai-se do lugar de luz às trevas com um só pensamento e tudo o que era bom que estava contigo se esfuma no ar.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

uma agonia: política

Não vejo a hora de acabar esse período eleitoral. E não é porque eu odeio política, não. É porque me importo mesmo. As notícias, boatos, artigos, debates, discussões e conversas a esse respeito me consomem sem que eu consiga evitar e agora com a agravante de sentir uma mordaça na boca (nem sempre eficaz). Mordaça do bem, diga-se, em prol de causas maiores.
Sempre votei com convicção e com o coração - que meto em tudo o que faço - mas agora eu entendo que não dá pra pôr meu coração nisso, e eu nem quero mais mesmo, mas não estou conseguindo, daí a agonia.
Não fosse o Evangelho e umas fragilidades pessoais minhas, não sei, não...  tudo indica que eu estaria metida até o osso em política partidária.
Mais 15 dias.
Afff...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Eu estava com medo por eles. O absurdo da situação me fisgou as entranhas desde agosto, quando se soube que eles ainda estavam vivos. Tentei me colocar no lugar desses homens e não consegui.
O resgaste também tinha riscos, tudo ainda era um teste. Só fui dormir depois que o terceiro conseguiu subir bem.


A expectativa e o choro desse guri de 7 anos ao ver o pai, o primeiro mineiro a ser resgatado, ressurgir da terra, foi simplesmente comovente.

"Porque en su mano están las profundidades de la tierra, Y las alturas de los montes son suyas"
De Él es la Honra y la Gloria
(na camisa do mineiro, pro mundo inteiro ver)

E em meio a todo esse drama, o sorriso permanente do presidente chileno me causou náuseas.

sábado, 25 de setembro de 2010

no caminho

Quem está de passagem está sempre se despedindo.
A medida que ajusto o foco nas prioridades eternas, aceno um novo adeus. Nunca senti isso tão forte. Todos os dias, caminhando na direção dEle, sou chamada a deixar alguma coisa pra trás. E apesar de ser estrangeira, de nada disso aqui me pertencer, essas separações ainda são doloridas.
Nos útimos dias estou me despedindo de algumas causas que eu defendia com muito de mim para agora lutar apenas pelo que durará eternamente. Porque não é a política que tornará o mundo mais justo, mas Cristo.
E não foi só. Depois de ficar mais uma vez óbvia uma desconexão de propósitos, comecei a sentir a separação de pessoas que já foram tão próximas. Doeu no começo, mas passou logo, com a simples constatação de que afinidades são mutáveis. Tudo bem.
Enquanto uns se vão, outros chegarão e todos juntos - afins e não afins - uma nova e perene família formaremos.
À frente e acima desses, o Amado, "porque nEle vivemos, nos movemos e existimos" (At 17:28).
Para o alto e avante! ;-)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

pertencer

Com tantos fracassos diários em ser o que Ele quer que eu seja, nessa luta incessante - o bom combate - na qual sou derrotada inúmeras vezes, tem dias em que eu penso e acabo dizendo: Senhor, eu Te amo, eu acredito em Ti, mas, olha, sinceramente, acho que o cristianismo não é pra mim, não, viu? Eu não consigo dar uma dentro!!!! Nenhuminha! Eu tenho a incrível capacidade de fazer abolutamente tudo errado! Todo dia eu me supero nos fracassos... blábláblá...blá... buáaaa!


A bênção: perceber que hoje isso não dura mais do que apenas uns instantes - bem reveladores do que sou, inclusive - que agora passam rápido porque logo em seguida já estou eu ali com Ele de novo por puro amor, pegando em Sua mão, olhando pra Ele, caminhando com Ele, tentando de novo. E ao perceber isso hoje senti uma alegria sem perímetro. Foi como ter a certeza de que Seu amor e Seus estatutos já estão gravados em mim, que fui mesmo chamada e escolhida, que daqui não tem mais volta, caindo e levantando, às vezes em silêncio, aos trancos e barrancos, eu vou atrás dEle por onde Ele for.

É como ouvi-Lo dizer: Ei... Calma... O Evangelho é exatamente pra você(Mc2:17)... Eu te amo tanto!(Jr31:3)


 
lado a lado
é, a gente tá junto mesmo


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

um novo velho sonho

Parece que a nova ilusão - ou não o seria? - é que a oportunidade de viver o amor de forma pura e santa, sob a luz da cruz de Cristo, no centro da Sua vontade, será a minha redenção (não salvífica). Parece ilusão porque era exatamente o que eu pensava há alguns poucos meses sobre a idéia de morar fora para estudar, longe da minha redoma familiar, o que demonstrou-se ser um engano pela inconteste intervenção de Deus ao impedir minha ida duas vezes seguidas.
Uma nova "ilusão"? Aspas porque com relação a ela há, sim, promessas, há uma vontade explícita de Deus, há, portanto, fundamento bíblico e não apenas as minhas lucubrações pessoais. Não se trata, nesse caso, de uma simples conclusão minha, fruto das minhas conjecturas, mas de uma idéia do próprio Deus.
Lendo mais o que o Senhor deixou a esse respeito soube melhor das promessas sobre o casamento e das bênçãos que Deus tem guardado para os casais que vivem sob Sua luz. Foi então que eu percebi que é essa a bênção que eu quero. Sim, eu quero e acho que não é novo esse desejo, só é consciente agora. Há muito eu peço, mesmo em silêncio, um amigo, um melhor amigo, alguém por mim, um protetor, um defensor, um companheiro de estrada, de viagem, de peregrinação nessa terra, um parceiro de aprendizado, com quem eu possa dividir todos os ensinos do nosso Deus e aprender com ele, em Cristo. Agora tudo isso atende pelo nome de marido (risos). Desde sempre eu sinto falta de um ajudador, um orientador, de um cabeça, um líder, um professor – e foi assim que busquei um sol. Infelizmente, procurei e depositei em pessoas erradas essas atribuições e embora não saiba ao certo se essa necessidade é saudável e correta, eu ainda a sinto. Por que não supri-la sob a vontade de Deus, com um casamento santificado por Ele, na vivência de um amor puro e santo, como Ele o quis? Não é o amor um poder? Não é o casamento um antegozo do Céu? Não foi ele criado na perfeição de um mundo sem pecado por proporcionar o mais alto grau de experiência em amor, que é a definição do próprio Deus? Por que não essa bênção para mim? Amar realmente - e não falsamente, como acontece na maioria das vezes, nas redes do engano - com o assentimento do meu Deus. O exercício da abnegação, da entrega, da dedicação, do cuidado, da união, da comunhão máxima com um outro ser que também O ame acima de tudo e de mim mesma.
A negação de si mesmo em prol do próximo, em nome de Deus e por amor a Ele. Eis o resumo da estrada da santificação. Ou seja, o antegozo do Céu é a preparação para viver nele. É o que eu quero! Um novo caráter, o passaporte para o Céu, o amor de Jesus. Estou disposta a isso, Senhor.
Pelo exercício do amor, pelo poder do amor em mim, milagres podem acontecer. Talvez eu veja naquela que ama a pessoa que quero ser, como Tu. 
Já sei que sentimentalismos são totalmente reprovados por Deus. Exageros românticos são contrafações de Satanás, pois não correspondem à realidade de uma vida a dois. Contra isso tenho me policiado e me instruído.

Por que não, Senhor? Onde ele estará? Quanto tempo mais esperaremos? Quanto tempo mais estaremos separados?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

that's me.
rindo pra não chorar

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

que sejam um

Não ser mais sozinha, o novo clamor da minha alma (mais um).
Saudade do que eu nunca tive, mas para o quê eu nasci. Resquícios do Criador em mim.
Se existe uma promessa - e existe - eu vivo hoje à espera do seu cumprimento. Antegozo do Céu, ela disse.
Não por merecimento, mas porque Ele é amor e assim quis. Simples assim.


"Pai santo, guarda em Teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós. (...) E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. (...) Eu neles, e Tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que Tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim."
(Jo 17.11,22-23)


A oração de Jesus. Esses versos se referem à Igreja, ao corpo de Cristo, 'eles' sendo nós todos os que cremos nEle. No entanto, de uns tempos pra cá, são essas as palavras que me ocorrem quando penso em ser uma só com outro alguém.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A secura de agosto não é só climática. Mas há uma nuvem de dia e um clarão no céu à noite. Dois pares de pegadas na areia que se tornam um só.
"Porque andamos por fé e não por vista." (II Co 5:7)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

domingo, 18 de julho de 2010


"Tudo tem seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu" Ec 3:1

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Tô indo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

psicologizando o layout

mudança no layout é como uma brincadeira de criança cheia de significados pra quem bloga.
senti minha relutância em mudar, há tempos quis sair daquela vermelhidão, mas não conseguia achar nada meu pra pôr no lugar, algo que também falasse de mim.
agora o blogger oferece mil opções, ficou até divertido.
aí hoje eu tentei de novo e cheguei nesse marrom, uns mapinhas esboçados ali. pensei: taí, menos vísceras, mais terra.
foi assim.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

contatos na rua

Andando na rua, centro da cidade. Um prédio em reforma. Uma voz de moço jovem em minha direção sai de lá dizendo de forma um tanto maliciosa "Ooooi, moça!". Eu ignoro. Foi a primeira reação, meio automática - e tantas vezes desnecessária, quase boba. Três passos meus à frente e ele grita "Oi, né, moça!!!?", me cobrando o cumprimento. Surpresa e vergonha. A mal-educada fui eu mesmo.

Então eu olhei em sua direção - reação inesperada em casos assim - com um ar de espanto e graça e o cumprimentei com firmeza, sorrindo. Ele pareceu satisfeito.

O moço parecia mesmo bravo com a minha momentânea indiferença. Estresse da vida moderna? Aguda sensibilidade? Não. Ser humano.

E na outra ponta do pensamento...
Reações automáticas, repensá-las sempre.

sábado, 26 de junho de 2010

uma tímida ambição confessada

tímida e ousada: um dia poder escrever e falar com fluência e naturalidade, a partir do ponto de vista cristão (ainda que implicitamente), pensamentos relevantes e verdadeiramente inteligentes em contraponto ao pensamento ateísta e às ideologias vigentes sem ser ou soar pedante por isso.
ser Sua voz calma e sábia em meio à confusão e ao engano das torres de marfim do conhecimento e seus arredores.

vou ali aprender a pensar e já volto.

inspiração: C. G. Chesterton

terça-feira, 22 de junho de 2010

feiura

Eu já fui hipersensível, do tipo mais difícil de lidar, para quem qualquer má palavra - desde mal intencionada até aquela apenas mal colocada, mal pensada - causava dor, lágrima, nó na garganta. Aí o tempo foi passando e eu fui me tornando um pouco menos frágil, menos ferida aberta, onde qualquer esbarrão, qualquer toque não intencional, era capaz de me fazer sofrer.
Bom, né?
Quase.
O problema é que no lugar daquela ferida aberta, ficou uma tremenda casca grossa, a ponto de hoje eu me pegar achando graça dos hipersensíveis que encontro e não ter mais a mínima paciência com essas pessoas. E pior é eu perceber que não meço mais a palavras como antes, como se a minha superação pessoal me eximisse de respeitar a ainda insuperada fragilidade alheia. Hoje eu sou aquela que me fazia chorar ontem. Virei um monstro.

Ultimamente andei cometendo uns erros que não seriam meus tempos atrás. De vez em quando nem acredito que fiz ou falei alguma coisa. Estranhíssimo.
Como se explica isso? Como posso me tornar tão intolerante a algo que senti e que me custou tanto até ser superado? Por que, ao invés disso, não tenho mais compaixão por quem é como eu era???

O que me consola é a crença de que ocorre um movimento pendular em alguns processos de mudanças de atitude e pensamento que leva, no decurso do tempo, a um verdadeiro e estável equilíbrio, o exato ponto médio entre quaisquer opostos.
De um extremo fui a outro e hei de oscilar entre eles algumas vezes mais, cada vez menos radicalmente, até chegar ao ponto ótimo de sensibilidade e fortaleza.

Fé e esforço.

"Tendo por certo isso mesmo, que Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo" (Fp 1:6)

domingo, 13 de junho de 2010

Celebração.
OBRIGADA.

domingo, 16 de maio de 2010

Tilbake til livet*

Tudo indica que, às vésperas dos 30, eu finalmente consigo responder por mim mesma e sem medos(hm..) aquela velha pergunta: "O que você quer ser quando crescer?"
Porque foi só quando eu cresci que eu soube.

*de volta à vida, em norueguês. também é uma música. rastros de estranhos na minha vida.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

definições importantes

A dúvida hoje é sobre o quanto de egoísmo há em querer perseguir os próprios sonhos.
Voltei a tê-los agora, a chamá-los pelo nome, a sentir a alegria antecipada de apenas me imaginar vivendo-os ou simplesmente buscando-os.
É como uma paixão que me acomete novamente. É uma paixão. A da minha inteireza, da minha missão, minha vocação, meu lugar no mundo. A mais antiga que tenho e que se perdeu de mim por longos 10 anos.

"minha, meu, eu, EU, EU..."

A prece: faz-me perceber os enganos por trás dos encantos.

Mudança de rota

Uma tentativa.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

pequena luz

Descobrindo aos poucos que talvez eu tenha naturalmente um real compromisso com o conhecimento. Não uma obrigação de adquirir todo aquele que se me põe ao alcance ou fazê-lo a qualquer custo, mas algo como um dever de diligência quando decido ou preciso buscá-lo. Comparar fontes, analisar discursos, questionar, duvidar antes de aceitar, compreender, raciocinar. Ainda que seja a mais banal pergunta que me leve à pesquisa, lá estou eu levando-a mais a sério do que tudo mais que empreendo na vida. Com prazer.

Sinais de uma vocação?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Esse ônibus vai pra onde?

Apesar de ser um pouco desagradável depender de ônibus para o transporte, de horários e itinerários alheios a nós e outros contratempos típicos, existe, sim, uma coisa que me parece boa nisso e graças a ela já não consigo encarar essa rotina sem um sorrisinho: percebi, meio que espantada com o óbvio, que passo a ser obrigada ao contato, porque não há ali os muros do isolamento tão bem erguidos a medida que subimos na escala social. Os outros, estranhos, estão agora bem aqui, tão perto. Gente de todo tipo ao redor, olhares com toda espécie de intenção, gestos, trejeitos, cheiro, calor e as inúmeras situações, algumas delas inusitadas, que passa-se a testemunhar diariamente.
Me chama a atenção, por ora, esse contato, a quebra da minha redoma, aquele campo de força a que o veículo particular nos serve bem. E eu já estava bem acostumada à minha pequena torre de marfim construída com diversos tijolos, dentre os quais um carro próprio, que junto a alguns outros me distanciavam da maioria das pessoas, esse grupo indistinto que chamamos "povo", sempre nos excluindo dele. Já estava acreditando que eu era outra, separada, diferente e, por que não?, até mesmo superior. Hm...
Esquecia que eu não posso ter aversão ao contato ou receio de ser como "eles" ou mesmo de ser apenas mais uma, porque simplesmente é isso que sou.
Bem-vinda ao lotação.

quarta-feira, 24 de março de 2010

sussurros

Tem uma tristezinha ali no canto. Não deixa ela chegar perto demais, tá? Segura ela ali pra mim enquanto eu tento sair daqui. Daí eu vou sair correndo com tanta força, tanta, mas tanta, que eu quero ver ela me alcançar. Vai ser pra nunca mais, você vai ver.

E você vem correndo comigo, não vem?

terça-feira, 16 de março de 2010

meu coração menino


Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão


Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade, alegria e amor
Pois não posso, não devo, não quero
Viver como toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
(Bola de meia, bola de gude - Milton Nascimento)



E pensando nessa criança que eu sou, divago (porque esse é o meu esporte): quem sabe haja uma explicação para a anacrônica meninice do meu rosto, uma causa intencional pra ela? Talvez seja Deus que esteja sendo ainda mais amoroso comigo, me dando essa aparência até então para acompanhar o ritmo lento do meu aprendizado sempre tardio das lições da vida. :-)

domingo, 14 de março de 2010

Sequestro-relâmpago: paixões

Susto. Dois dias em perigo. Baixei a guarda por alguns dias, me iludi com o risco calculado e acabei por abrir as portas ao invasor, que entrou triunfante. Em seguida, caio em mim: cativeiro.
Roubou-me horas, pensamentos, confundiu certezas, embaralhou os sonhos, mexeu em tudo e deixou na desordem mais uma semente de medo pela incerteza quanto à liberdade recém-readquirida depois do assalto. Compreensível. Leva algum tempo até recobrar a confiança e sentir-se segura novamente.
Pude sair andando, mas fui olhando tão insistentemente para trás que caí várias vezes. Saí ainda com cordas atando as mãos. Dessa vez não deixarão marcas, mas me farão sempre lembrar onde sou mais vulnerável.

Quanto se pede pelo resgate de si mesmo?

1º update(1 semana depois): não, não terminou. onde pensei que era livre, ainda estava entre seus muros.
2º update(2ª semana): síndrome de estocolmo.
3º update(3ª semana): princípio de desencanto. desprendendo-me.
4º update(4ª semana): livre, enfim. posso vê-lo sem temer. fim.

quinta-feira, 11 de março de 2010

sombra do sol

Dele, a permanente presença da ausência, nunca a ausência da presença.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Um presente

Dia claro, sol alto. A caminho de um ponto de ônibus, passava por uma rua sem asfalto onde estava um menino, aproximadamente 10 anos, recostado a uma carroça em frente a um terreno baldio. Eu não ia cumprimentá-lo, mas ele o fez.
- Oi...
- Oi!
- Tudo bem?
- Tudo bem!
- Você é bonita, hein!
- !!!!
- (um sorriso)
- Ai, obrigada!!! (O sorriso)

O que que você faz com uma coisa maravilhosa dessa?
O sorriso que ganhei ficou pra sempre, está impresso no meu rosto, não sai nunca mais. Encrustado na minha face, mas ainda incapaz de manifestar tudo o que esse diálogo inesperado me causou. Se palavras o podem, não o farão agora. Sorrio. =)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Verão


Quarenta e cinco dias longe de casa, de amigos, conhecidos, do conforto, da redoma. Dedicação integral ao trabalho aparentemente altruísta, em prol daqueles que não conheço.
Os dias de mais profunda imersão no que sou, mas agora por novas e desconhecidas vias. Não mais a da reflexão inerte, a introspecção retórica, mas a do serviço, da ação permanente, da iniciativa em nome de uma causa. O paradoxo redentor: sair de mim para encontrar-me.
Férias inesquecíveis. Aprendizado para a eternidade.