Andando por aí, por mim e nEle, observando, absorvendo. Tudo é sempre novo - e estranho - aqui e no mundo. Notas de espanto, porque todo dia nasço.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
dias assim
"Que dias há que n'alma me tem postoCamões
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como e dói não sei porquê."
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Enquanto isso...
...um milagre acontece.
A verdadeira felicidade mora no caminho que me leva para fora de mim. Quanto mais me esqueço, mais feliz Ele me faz.
Então, naturalmente, elegi um hino - mais um, porque sempre há um tema musical para todos os momentos, a trilha sonora da vida - para cantar toda vez que eu perder de vista o propósito final de (sobre)viver, toda vez que meu ego quiser ofuscar o brilho de Cristo, toda vez que as dores do mundo e de ser me quiserem desanimar, toda vez que eu quiser anunciar como ser feliz hoje, mesmo estando só de passagem aqui.
O melhor de 2011 foi isso. O melhor da vida.
"Não há maior privilégio do que ser feliz quando outros já são.Feliz por tantas bênçãos derramadas sobre os que estão ao meu redor. Elas me alcançam, me revelam Sua face, me fazem ver do que Ele é capaz pelos que O amam, pelos que Ele ama. Tudo por todos.
Basta viver o amor, basta crescer no Senhor..." ♪
A verdadeira felicidade mora no caminho que me leva para fora de mim. Quanto mais me esqueço, mais feliz Ele me faz.
Então, naturalmente, elegi um hino - mais um, porque sempre há um tema musical para todos os momentos, a trilha sonora da vida - para cantar toda vez que eu perder de vista o propósito final de (sobre)viver, toda vez que meu ego quiser ofuscar o brilho de Cristo, toda vez que as dores do mundo e de ser me quiserem desanimar, toda vez que eu quiser anunciar como ser feliz hoje, mesmo estando só de passagem aqui.
"Quero imitar meu Jesus no serviço e viver como Ele viveu (...)
Vamos deixar Jesus Cristo usar nossa vida, usar nossas mãos
Vou viver para servir com meu sorriso ou com minha mão,
Dando força ou dando atenção
Quero viver pra servir, quero ser um amigo leal, um irmão
Quero plantar uma flor no caminho por onde as pessoas irão..." ♫
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
mudança no mundo
Dois pedidos... atendidos.
Um encontro promovido.
Mútuos convites aceitos.
"Sim, quero entrar na sua vida... e ficar o quanto Ele permitir".
O sonho cresceu. Não mais dois serem um. Seremos uma unidade de três, amalgamada em amor. Porque Quem nos une é Ele.
Um encontro promovido.
Mútuos convites aceitos.
"Sim, quero entrar na sua vida... e ficar o quanto Ele permitir".
O sonho cresceu. Não mais dois serem um. Seremos uma unidade de três, amalgamada em amor. Porque Quem nos une é Ele.
nós três
"Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os Meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os Meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos."
Isaías 55:9
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
sono
descobri que meu velho hábito - cultivado desde a segunda infância, segundo relatos da mãe - de sempre adiar a hora de dormir, é porque eu gosto dessa sensação de embriaguez e semi-torpor que sentimos quando estamos com muito sono. é que eu não bebo e gosto de fugir.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Finados
Entre outubro e setembro vivi um luto estendido. À minha volta quatro pessoas partiram, uma após a outra, sem despedidas.
As reflexões mais óbvias foram, como sempre, inevitáveis. Os clichês, quase necessários.
E será sempre um assombroso mistério que haja a possibilidade de sairmos de um velório abençoados. Mas isso é real, eu estava lá. E isso é a vida com Ele, é a Bíblia em carne, osso e lágrimas, é ter evidências de Sua existência então não mais invisível, então concreta, palpável, tangível, ao podermos, no momento da mais dura dor, dar vida às palavras "em tudo dai graças".
Por isso e mais, não dá pra deixar tudo continuar a ser o mesmo. Não posso deixar que me façam esquecer o que significa esse fôlego de vida que Ele mantém em mim agora. Há uma razão, um sentido, um propósito para que meu coração ainda bata.
Não me deixes esquecer nem desvalorizar o tempo que me dás hoje, por favor. Como é fácil, pra mim, perder esse senso de valor!
Hoje o aperto no peito não é pela dor que a morte traz, mas pelo desespero que o desperdício da vida me causa.
Porque, para aquela, a solução é dEle e por isso certa: haverá um grande e belo reencontro entre todos os que creram. Paz em meio ao temporal.
Mas quanto a este, só depende de mim...
As reflexões mais óbvias foram, como sempre, inevitáveis. Os clichês, quase necessários.
E será sempre um assombroso mistério que haja a possibilidade de sairmos de um velório abençoados. Mas isso é real, eu estava lá. E isso é a vida com Ele, é a Bíblia em carne, osso e lágrimas, é ter evidências de Sua existência então não mais invisível, então concreta, palpável, tangível, ao podermos, no momento da mais dura dor, dar vida às palavras "em tudo dai graças".
Por isso e mais, não dá pra deixar tudo continuar a ser o mesmo. Não posso deixar que me façam esquecer o que significa esse fôlego de vida que Ele mantém em mim agora. Há uma razão, um sentido, um propósito para que meu coração ainda bata.
Não me deixes esquecer nem desvalorizar o tempo que me dás hoje, por favor. Como é fácil, pra mim, perder esse senso de valor!
Hoje o aperto no peito não é pela dor que a morte traz, mas pelo desespero que o desperdício da vida me causa.
Porque, para aquela, a solução é dEle e por isso certa: haverá um grande e belo reencontro entre todos os que creram. Paz em meio ao temporal.
Mas quanto a este, só depende de mim...
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
tudo quer me revelar
a cada passo que ele dá em minha direção, mais das minhas inseguranças se revelam. coisas que eu achava pertencerem ao passado ressurgem reavivadas e me deixam nua, trêmula.
e, assim, mais uma vez, a velha dicotomia, meu mais antigo paradoxo se manifesta: aquilo que era para ser apenas doce passa a ser também um teste, um desafio, provação. minha dialética.
ao mesmo tempo em que agradeço ser desnudada desta forma (porque autoconhecimento é a ciência mais alta), reconheço que sem Sua ajuda não conseguirei agir sabiamente até mesmo quando Ele só quer me abençoar. segura na minha mão, eu Te peço.
e, assim, mais uma vez, a velha dicotomia, meu mais antigo paradoxo se manifesta: aquilo que era para ser apenas doce passa a ser também um teste, um desafio, provação. minha dialética.
ao mesmo tempo em que agradeço ser desnudada desta forma (porque autoconhecimento é a ciência mais alta), reconheço que sem Sua ajuda não conseguirei agir sabiamente até mesmo quando Ele só quer me abençoar. segura na minha mão, eu Te peço.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
palavras de ordem
Seja a mudança que você quer no mundo.
(Gandhi)
Nunca isso fez tanto sentido.
Falar menos, agir mais.
Que o dedo em riste, se assim for preciso estar, aponte somente na minha própria direção.
"Mais amor, por favor", digo a mim mesma. Porque é difícil calar-se ante a apatia, a injustiça, a hipocrisia, o desamor.
Mas atos falam mais alto que palavras. E o amor é um poder, é uma revolução. Então, que seja esse o meu discurso, seja de exortação ou de repreensão. Que minha vida seja o firme e orgulhoso mastro dessa grandiosa bandeira que sustento.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Uma vida com propósitos
Depois da minha primeira missão, aliada à leitura completa do livro de Rick Warren com o título acima, essa é minha decisão para hoje e o resto da minha vida na Terra.
O que Ele vai querer de mim, eu não sei, mas já tenho a resposta a qualquer chamado, mesmo que não seja o que eu espero:
O que Ele vai querer de mim, eu não sei, mas já tenho a resposta a qualquer chamado, mesmo que não seja o que eu espero:
"Eis-me aqui, envia-me a mim"
(Isaías 6:8)
(Isaías 6:8)
segunda-feira, 25 de julho de 2011
JULHO de 2011
... e eis que, um dia, você entende tudo, porque se encontra, finalmente, com o propósito da sua vida enquanto experimentava, sem saber, viver exatamente aquilo para o que foi criado e moldado para ser e fazer no mundo.
Então, paz.
(continua)
Então, paz.
(continua)
domingo, 26 de junho de 2011
eu e Ele
"O que o homem chama de tempo,
Deus chama de tratamento"
Deus chama de tratamento"
No divã do Criador.
Depois do diagnóstico, o tratamento, o tempo.
Mais uma mudança em curso, a construção de um novo e melhor jeito de ser, sentir, pensar, agir. Estranhezas, caos temporário, o susto que a novidade traz, a readaptação.
Reflexos na vida espiritual, emocional e intelectual. Repercussão direta na vida prática, diária, nas pequenas e grandes escolhas e decisões do dia a dia, na eleição das prioridades, na medida de dedicação e entrega à vida, na disposição para errar quando tentava acertar, para aprender com os erros, para perdoar, para se expor, para, com menos receios, simplesmente tentar.
Eu só quero que Ele continue, porque não tenho mais medo de ser quebrada para ser refeita em Suas mãos, porque sei que Ele pode fazer de um velho vaso destroçado um novo infinitamente melhor do que o original, porque acho que estou aprendendo a confiar agora. Porque mal começamos.
Estou Contigo e não abro.
És o Oleiro, eu sou o vaso. Pra sempre.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
quem tem medo do tempo?
- Tenho direito a um pedido? Então... não quero ter rugas.
- Eu já peço outra coisa: as rugas certas. As de muitos sorrisos, não de tristeza; as de maturidade, não de sol; as de muita vida, não de cansaço. ;-)
- Eu já peço outra coisa: as rugas certas. As de muitos sorrisos, não de tristeza; as de maturidade, não de sol; as de muita vida, não de cansaço. ;-)
domingo, 19 de junho de 2011
ajo, logo oro
Há momentos em que a melhor e mais importante oração é simplesmente agir, fazer o que é certo, o que é devido, nada mais.
Quero orar assim hoje.
Quero orar assim hoje.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
entre mundos
Pessoas superinteressantes. Almas expandidas que me despertam um enamoramento instantâneo, uma paixão, a urgência de conhecer, de saber, saber, saber, descobrir, mergulhar e devorar tudo de novo, belo, rico, complexo, alto e denso que vejo dentro de e ao redor delas. Cada uma é sempre um mundo novo todo envolvente e tudo o que há nele é uma isca pra minha alma, que sempre eu mordo e, então, sou fisgada. Lá dentro navego inebriada, pegando todas as pistas, observando todos os registros, todas as marcas, toda história visível e invisível, essa tão mais interessante e tantas vezes mal disfarçada, todo rastro deixado pelo caminho. São outras referências, outras leituras, outras trajetórias, músicas, cores, livros, ideias, escolhas, sentimentos, fantasias, sonhos, ilusões, enganos, medos e erros diferentes ou até similares aos meus, tanta coisa, tudo... E quando percebo, estou longe, num universo alheio que eu penso queria pra mim, em que eu, creio, até viveria, mas que se situam a uma distância calculadamente perigosa do meu caminho, mesmo que tangenciem meu desejo. Nem tão longe que eu não possa avistar, alcançar e adentrar, nem tão perto que eu possa habitar.
São mundos que tem muito - ou tudo, ainda não sei - do que me encanta, mas lhes falta algo. Não tem o que transcende o finito, o que salta desta vida para o eterno, o que alça uma alma ao mais amplo e elevado grau do viver. São mundos lindos, mas incompletos. Apaixonantes, mas ariscos. Instigantes, mas confusos, errantes. Ainda assim, me atraem de tal modo que eu preciso de toda força racional possível para voltar ao meu e dar lugar certo àquilo que realmente importa pra mim, mesmo que duvidoso ou inexistente pra tantos. Força para relembrar porque eu não os habito, ou porque não construo o meu universo particular como o deles, mas resido aqui, nesse meu espaço ainda mal delimitado, o qual procuro, constantemente, esvaziar de mim para preencher com outro Ser.
São mundos que tem muito - ou tudo, ainda não sei - do que me encanta, mas lhes falta algo. Não tem o que transcende o finito, o que salta desta vida para o eterno, o que alça uma alma ao mais amplo e elevado grau do viver. São mundos lindos, mas incompletos. Apaixonantes, mas ariscos. Instigantes, mas confusos, errantes. Ainda assim, me atraem de tal modo que eu preciso de toda força racional possível para voltar ao meu e dar lugar certo àquilo que realmente importa pra mim, mesmo que duvidoso ou inexistente pra tantos. Força para relembrar porque eu não os habito, ou porque não construo o meu universo particular como o deles, mas resido aqui, nesse meu espaço ainda mal delimitado, o qual procuro, constantemente, esvaziar de mim para preencher com outro Ser.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
do adoecer
Se tem uma coisa que morde meu orgulho, essa coisa é ficar doente. Raiva mesmo, indignação. Que bela alfinetada na minha justiça própria. Vegetariana, natureba, ativa, lubrificando as engrenagens da máquina regularmente, blablá, como me cuido, oh, como sou perfeita, oh, como eu tento ser!
Aí vem um vírus. Um mísero micróbio querendo tomar meu território, o espaço mais íntimo e restrito que ocupo no mundo, que é o meu corpo. Vem me dizer como sou frágil. Vem me lembrar como sou vulnerável. Vem me pôr no meu lugar.
Com o pouco que sei, consigo identificar cada passo dele nessa empreitada aqui dentro. Percebo quando o corpo sofre o primeiro ataque, reconhece sua presença e então declara guerra. Declaramos!
Chá de tudo o que conheço, alimentação estritamente terapêutica, o subestimado repouso, tão indispensável, soluções, sucos... Cercamos o inimigo por todos os flancos. Investimos todas as nossas armas físicas e psicológicas contra o adversário numa renhida luta, ao fim, gloriosa! Em 8 dias derrotamos o adversário!
E eu saí de cabeça erguida, triunfante, orgulhosa por não ter usado uma droga sequer contra um mal tão banal como uma gripe. Mas, dessa vez, não deixando escapar a lição na qual ainda reprovo: humildade.
Aí vem um vírus. Um mísero micróbio querendo tomar meu território, o espaço mais íntimo e restrito que ocupo no mundo, que é o meu corpo. Vem me dizer como sou frágil. Vem me lembrar como sou vulnerável. Vem me pôr no meu lugar.
Com o pouco que sei, consigo identificar cada passo dele nessa empreitada aqui dentro. Percebo quando o corpo sofre o primeiro ataque, reconhece sua presença e então declara guerra. Declaramos!
Chá de tudo o que conheço, alimentação estritamente terapêutica, o subestimado repouso, tão indispensável, soluções, sucos... Cercamos o inimigo por todos os flancos. Investimos todas as nossas armas físicas e psicológicas contra o adversário numa renhida luta, ao fim, gloriosa! Em 8 dias derrotamos o adversário!
E eu saí de cabeça erguida, triunfante, orgulhosa por não ter usado uma droga sequer contra um mal tão banal como uma gripe. Mas, dessa vez, não deixando escapar a lição na qual ainda reprovo: humildade.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
há um país...
Ele tinha receios e estava certo.
Fica o nó na garganta de um grito preso, do choro contido, da indignação, um desespero e a saudade cada vez maior do Lar que ainda não conheci, o meu País.
Fica o nó na garganta de um grito preso, do choro contido, da indignação, um desespero e a saudade cada vez maior do Lar que ainda não conheci, o meu País.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
paixão define
meu amor
esta é a última oração
pra salvar seu coração
coração não é tão simples quanto pensa
nele cabe o que não cabe na despensa
cabe o meu amor
cabem três vidas inteiras
cabe uma penteadeira
cabe nós dois
cabe até o meu amor
Para cantar e rodopiar de olhos fechados até voar... de mãos dadas com alguém.
Update: E mais um vez Mary W. resumindo o que nos soubemos explicar sobre o que importa. Linda.
domingo, 15 de maio de 2011
helianthus annus
eu e meus clichês.
amo girassóis, essas poesias do Criador. a flor do sol, perseguindo-o, cultuando-o, hipnotizada, presa ao chão, sem poder nada além de amá-lo platonicamente e imitá-lo tanto quanto pode... como não se encantar?
hoje voltei os olhos pra eles mais uma vez e o espanto me assaltou novamente. que lindo, que lindo!
porque é como me sinto, um girassol, voltado para tudo que amo, um Teu girassol.
plantei umas sementes para sê-lo mais enquanto rego a vontade de germinar, crescer e desabrochar.
amo girassóis, essas poesias do Criador. a flor do sol, perseguindo-o, cultuando-o, hipnotizada, presa ao chão, sem poder nada além de amá-lo platonicamente e imitá-lo tanto quanto pode... como não se encantar?
hoje voltei os olhos pra eles mais uma vez e o espanto me assaltou novamente. que lindo, que lindo!
porque é como me sinto, um girassol, voltado para tudo que amo, um Teu girassol.
plantei umas sementes para sê-lo mais enquanto rego a vontade de germinar, crescer e desabrochar.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
dual
eu sou do dia. quando eu preciso de movimento e atitude, quando faço planos e preciso ser racional, ser prática, agir e resolver a vida. sou do sol, do girassol, sou do céu azul limpinho, das nuvens que desenham pra mim. sou dos encontros, das gentes, da voz alta e da gargalhada. de adorar acordar com o sol na cara e até ter um ritual bem compassado para se levantar bem: ouve a música, os pássaros, senta na cama, abre a cortina, bebe água, sente o clima, vê o céu, o cão, espreguiça, alonga, canta ou grita e agora, sim, bom dia.
eu sou da noite. quando eu preciso escrever e refletir, ler e sentir. quando escolho sonhar acordada, quando busco a marcha lenta da vida, quando tenho ideias, quando quero criar, recortar, costurar, tocar e fazer qualquer coisa para as quais os afazeres do dia não dariam espaço. sou da noite da via láctea brilhante, da lua cheia ou sorridente, do céu quebra-cabeça de constelações, do silêncio, da oração em voz baixa de olhos abertos, da solidão boa de estar em minha própria companhia e na Sua, do bom sono, mas de lutar contra ele por dó de perdê-la, a noite.
mas sou também da transição, da viração do dia, de cada nascer e por-do-sol, do arrebol, da aurora, esses momentos de vertigem do tempo, em que não é dia nem noite, não é nada, é só uma passagem, é só a ponte entre duas faces do tempo e de mim.
eu sou da noite. quando eu preciso escrever e refletir, ler e sentir. quando escolho sonhar acordada, quando busco a marcha lenta da vida, quando tenho ideias, quando quero criar, recortar, costurar, tocar e fazer qualquer coisa para as quais os afazeres do dia não dariam espaço. sou da noite da via láctea brilhante, da lua cheia ou sorridente, do céu quebra-cabeça de constelações, do silêncio, da oração em voz baixa de olhos abertos, da solidão boa de estar em minha própria companhia e na Sua, do bom sono, mas de lutar contra ele por dó de perdê-la, a noite.
mas sou também da transição, da viração do dia, de cada nascer e por-do-sol, do arrebol, da aurora, esses momentos de vertigem do tempo, em que não é dia nem noite, não é nada, é só uma passagem, é só a ponte entre duas faces do tempo e de mim.
domingo, 8 de maio de 2011
carro de estimação (ou como transformo tudo em afeto)
Agora eu tenho isso: me apeguei a um carro velho, o nosso carro, exatamente como o meu irmão. A mãe quer vendê-lo e eu fico impedindo-a até que - em breve, espero - eu possa comprá-lo. Eu mesma o lavo como se fosse dar carona pro Papa. Compro acessórios, pecinhas, produtos de toda sorte pra deixá-lo "jovem", bonitão, pra valorizá-lo, pra demonstrar meu cuidado.
E, claro, como é de praxe por aqui, construí toda uma história emocional com ele.
Foi com ele que os três filhos aprendemos a dirigir. Há lá marquinhas dos erros de cada um na sua lataria.
Fomos seus únicos donos. Ele é da família.
Ele foi minha casinha nos dias mais corridos de anos atrás, quando nele eu dormia, lanchava, estudava e cortava a cidade de um lado a outro entre casa, faculdade e trabalho.
Com ele descobri como adoro dirigir e meu desejo de pegar estrada pra longe, passeando por aí, só ganhou mais força com o tempo. Nosso primeiro trecho de autoestrada foi de 17km, depois de 40km e cada vez mais longe.
Nele refleti bastante sobre nosso estilo de vida, o isolamento urbano de cada um, sobre a agressividade manifestada no volante por muitos e às vezes por mim, a minha pressa imotivada, e passei até a exercitar minha mansidão ao dirigir devagar.
Com ele tive mais oportunidades de ser útil, levando e trazendo gente pra lá e pra cá, socorrendo vizinhos da espera quase eterna no ponto de ônibus aqui do bairro, exercitando e aperfeiçoando à força a cara-de-pau na hora de pedir uma ajuda pra "gasosa"...
Com ele fiquei até mais tarde com os amigos, pude aproveitar mais sem culpas ou preocupações.
Já sei seus macetes todos e seus defeitinhos só o deixam mais personalizado. As portas traseiras que emperram e ninguém consegue abrir sozinho, o cinto-de-segurança do carona que só destrava na minha mão, a gambiarra na porta do porta-mala que não ficava mais em pé sozinha.
Sei como ninguém qual é o limite da reserva do tanque de combustível e aprendi com ele que andando devagar a gente vai mais longe, literalmente.
Esse carro me leva aonde eu precisar, gasta o básico referente à manutenção. Não enxergo motivo forte o bastante, que não seja uma mera convenção consumista, para me convencer a trocá-lo por outro agora. Daí que, além de tudo, com ele, um carro de 1998, eu manifesto, ainda que - convenhamos - timidamente, meu anticapitalismo, minha resistência ao consumismo, ao que dita o mundo sobre o que é viver bem, ser bem-sucedido, ser moderno, enfim, sobre o que é importante.
E isso tudo tem alguma coisa com o meu pai que eu não sei bem o que é, mas sei que toda vez em que eu estou lavando-o, e muitas vezes quando manobrando (o pai é mestre), quando inventando novos caminhos para chegar no mesmo lugar (a bússola intuitiva do pai nunca erra), eu lembro dele. Acho que é porque eu o ajudava às vezes a lavar o carro aqui em casa quando era pequena, naquela mesma garagem. E, talvez, também porque o pai é desses que se orgulha de ter algo antigo e bem cuidado, o que carrego comigo também. Aí olho pro carro, faço planos em mantê-lo bem cuidado, dirijo-o e penso, lá no fundo do meu inconsciente: o pai vai gostar*.
*Eu dou tantas voltas na vida e no pensamento, faço e planejo tantas coisas diferentes para, no fim, chegar (ou partir do) no mesmo lugar, esse amor por meu pai.
E, claro, como é de praxe por aqui, construí toda uma história emocional com ele.
Foi com ele que os três filhos aprendemos a dirigir. Há lá marquinhas dos erros de cada um na sua lataria.
Fomos seus únicos donos. Ele é da família.
Ele foi minha casinha nos dias mais corridos de anos atrás, quando nele eu dormia, lanchava, estudava e cortava a cidade de um lado a outro entre casa, faculdade e trabalho.
Com ele descobri como adoro dirigir e meu desejo de pegar estrada pra longe, passeando por aí, só ganhou mais força com o tempo. Nosso primeiro trecho de autoestrada foi de 17km, depois de 40km e cada vez mais longe.
Nele refleti bastante sobre nosso estilo de vida, o isolamento urbano de cada um, sobre a agressividade manifestada no volante por muitos e às vezes por mim, a minha pressa imotivada, e passei até a exercitar minha mansidão ao dirigir devagar.
Com ele tive mais oportunidades de ser útil, levando e trazendo gente pra lá e pra cá, socorrendo vizinhos da espera quase eterna no ponto de ônibus aqui do bairro, exercitando e aperfeiçoando à força a cara-de-pau na hora de pedir uma ajuda pra "gasosa"...
Com ele fiquei até mais tarde com os amigos, pude aproveitar mais sem culpas ou preocupações.
Já sei seus macetes todos e seus defeitinhos só o deixam mais personalizado. As portas traseiras que emperram e ninguém consegue abrir sozinho, o cinto-de-segurança do carona que só destrava na minha mão, a gambiarra na porta do porta-mala que não ficava mais em pé sozinha.
Sei como ninguém qual é o limite da reserva do tanque de combustível e aprendi com ele que andando devagar a gente vai mais longe, literalmente.
Esse carro me leva aonde eu precisar, gasta o básico referente à manutenção. Não enxergo motivo forte o bastante, que não seja uma mera convenção consumista, para me convencer a trocá-lo por outro agora. Daí que, além de tudo, com ele, um carro de 1998, eu manifesto, ainda que - convenhamos - timidamente, meu anticapitalismo, minha resistência ao consumismo, ao que dita o mundo sobre o que é viver bem, ser bem-sucedido, ser moderno, enfim, sobre o que é importante.
E isso tudo tem alguma coisa com o meu pai que eu não sei bem o que é, mas sei que toda vez em que eu estou lavando-o, e muitas vezes quando manobrando (o pai é mestre), quando inventando novos caminhos para chegar no mesmo lugar (a bússola intuitiva do pai nunca erra), eu lembro dele. Acho que é porque eu o ajudava às vezes a lavar o carro aqui em casa quando era pequena, naquela mesma garagem. E, talvez, também porque o pai é desses que se orgulha de ter algo antigo e bem cuidado, o que carrego comigo também. Aí olho pro carro, faço planos em mantê-lo bem cuidado, dirijo-o e penso, lá no fundo do meu inconsciente: o pai vai gostar*.
*Eu dou tantas voltas na vida e no pensamento, faço e planejo tantas coisas diferentes para, no fim, chegar (ou partir do) no mesmo lugar, esse amor por meu pai.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
roda viva
Nessa toada, eu sempre quero arranjar um jeito pra tudo e nunca dou conta. Sobram sempre escusas.
E o tumulto continua.
De repente, minha vida se encheu! Pessoas que amo, a quem me apraz me dedicar, me oferecer, conviver, encontros e reencontros. Afazeres prazerosos, outros nem tanto, serviço, planos, sonhos. Então, ser apenas uma se torna pouco e incomoda. E eu volto a morrer naquele mesmo velho impasse: eu versus o resto do mundo. Nunca consigo conciliá-los, e para escolher um deles um não terá de ser dito para o outro.
Aqui jaz minha paz: eu não sei dizer "não". Pra eles, pra mim. Que fraqueza é essa? De onde vem isso?
É desse jeito que o que era pra ser só bom começa a ser ruim também, o que era pra ser meu êxtase total é minha pedrinha de tropeço.
Equilíbrio, eu Te peço.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
"Minhas raízes são aéreas"
Já compartilhei com quase todos ao meu redor, ma parece que não foi sufuciente. Queria que isso entrasse em mim, não sei. Queria esse encontro com a vida, com essa quase ilusão de uma vocação, de uma missão. Esse meu lado criança que não desistiu de ser uma heroína intergalática. Estou meio fora de mim desde que essa entrevista tirou algumas coisas do lugar por aqui. E apaixonada por essa mulher que é quem eu gostaria de ser, que vive a coerência perfeita entre o que acredita e o que faz, esse encaixe perfeito capaz de trazer-lhe paz mesmo em meio a tanto sofrimento vivido e testemunhado, que sente o mundo como sua verdadeira família, que vive permanentemente o PRAZER DE SERVIR, que vive plenamente o propósito para o qual fomos criados: viver o amor e vencer tudo por ele. Alguém que vive o amor em sua totalidade sem falar de religião.
"Eu quero ter raiz, mas raízes aéreas, que eu possa levar para onde eu quiser."
"É assim.. você está cansada, você está aniquilada, mas a alma está salva, você está se sentindo bem com o que está fazendo."
" - E você sabe que não está fugindo de nada...
- Até porque eu me levo para todo lugar, né? Eu não tenho como fugir. Eu estou junto comigo o tempo todo."
"Quando você não tem nada, mas você ainda tem espaço para acolher alguém dentro de você, é interessante, bem interessante. E aí você se dá conta de que o material não é nada."
"Cada um tem a sua escolha. Inclusive, a escolha de dizer: “Eu quero viver nesse outro mundo”. E a alienação também traz felicidade. Você não saber de tudo, você não saber de uma série de penúrias e de desgraças do mundo também te traz um conforto e uma sensação de felicidade de "Ok, tudo o que eu sei é que meu filho está bem alimentado, dormindo num bercinho bonito, que acabei de reformar o quarto dele com um arquiteto. Está tudo ótimo." Tipo, a alienação também é isso, também traz conforto. Mas eu não escolhi esse lado. Eu escolhi saber, eu escolhi ver.
– Como é escolher ver?
– Rico, bem rico. É uma sensação de ter muita gente dentro de mim. Eu já sou muitas, né? Sou muitas mulheres e muitos homens também, sou muita gente. É uma sensação de... (permanece um pouco em silêncio) estar muito plena. Plena de história, de tudo. Plena..."
Débora Noal, psicóloga do Médicos Sem Fronteiras, heroína de verdade.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
paz no plural
"Espero que tudo volte ao normal", eu recebi hoje.
E com todo o meu coração, eu também espero.
Sim, Ele cura corações partidos.
Os nossos e os que partimos sem querer.
E com todo o meu coração, eu também espero.
Sim, Ele cura corações partidos.
Os nossos e os que partimos sem querer.
terça-feira, 5 de abril de 2011
terra de Rondon
Mais uma aventura pessoal, de mil sustos e quase perigos, prova de fé e confiança, de perseverança e vontade.
E lá fui eu tentar a vida, ver se consigo entrar por mais uma porta aberta.
Senti o cheiro do recomeço e a sensação estranha mas gostosa de ver o trailer do filme que meus pais viveram 25 anos atrás, prestes a ser reprisado.
Foi sair da redoma e do conforto e ser só eu e Ele na prática de novo.
Mas foi mais: dar passos concretos em direção aos velhos sonhos ora renovados, mexer com mais vontade a massa de cimento e colar mais uns tijolos nessa construção difícil e custosa de anos a fio.
Voltei mais inteira, mais firme, mais ereta.
De volta para o futuro.
E lá fui eu tentar a vida, ver se consigo entrar por mais uma porta aberta.
Senti o cheiro do recomeço e a sensação estranha mas gostosa de ver o trailer do filme que meus pais viveram 25 anos atrás, prestes a ser reprisado.
Foi sair da redoma e do conforto e ser só eu e Ele na prática de novo.
Mas foi mais: dar passos concretos em direção aos velhos sonhos ora renovados, mexer com mais vontade a massa de cimento e colar mais uns tijolos nessa construção difícil e custosa de anos a fio.
Voltei mais inteira, mais firme, mais ereta.
De volta para o futuro.
domingo, 27 de março de 2011
março
O mês voou. Não consegui deter em palavras o que acontecia. Vim várias vezes escrever e era tanto que nada saía. Tanto movimento, o mundo girando, o meu mudando, o congestionamento, o olhar brilhando, os pés correndo, um turbilhão. Gentes que puxam assunto, que sentam ao lado, que mantém contato, que surgem em sonhos, que surgem na esquina, que aconselham, sorriem e fazem bem. Planos, projetos, objetivos. Dando novo nome aos sonhos à procura do que é concreto.
Tudo é importante, mas o que é prioritário? Essa a escolha mais difícil - decisão de cada instante - porque é renúncia de todo o resto e eu ainda não sei dizer não.
A vida em cores fortes.
Bola pra frente.
quarta-feira, 9 de março de 2011
do amor
eu tenho um jeito de amar meio esquisito. de me dar demais, de querer demais, de querer tudo. disfarço, me contenho, me censuro, mas no fundo é assim, toda a intensidade possível flertando com a loucura o tempo todo. sofro, não sinto paz.
por isso um dia eu não quis me apaixonar nunca mais, na tentativa de evitar tanto tumulto interno. achava que eu poderia só amar devagarzinho, construindo o sentimento tijolo por tijolo, mas não deu muito certo. ainda não deu.
não desisti, não. esse rio que corre apressado derrubando margens há de ter um leito fundo e sereno, o de amar em paz.
sexta-feira, 4 de março de 2011
entrelinhas IV
Manhã de sábado
Estou sentindo um clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou, por assim dizer,
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano,
já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto
amém.
(A Lucidez Perigosa, Clarice Lispector)
(fevereiro/2006)
Estou sentindo um clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou, por assim dizer,
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano,
já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto
amém.
(A Lucidez Perigosa, Clarice Lispector)
(fevereiro/2006)
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
entrelinhas III
Serei o rio
Chora-se um pouco, derrama-se um pouco da mágoa eterna, esvazia-se das dores crônicas tanto quanto é possével, entrega-se ao sono da alma enfastiada e, então, renova-se. Recomeça-se. Retoma-se os velhos intentos, as lutas até então inglórias, as tentativas por ora fracassadas. Persiste-se. Resiste-se. Sobrevive-se.
Mais um dia à frente.
"Fecham-te a porta? Inventa uma ponte.
Bloqueiam-te a ponte? Defende-te com sonhos.
Agreditem-te os sonhos? Recria os seres humanos.
É isso impossível? Torna-te deusa ou deus.
Não deixam? Recomeça o circuito, sê o rio sem margens."
(C. Serra)
Tenho-te em mim.
(fev/06)
Chora-se um pouco, derrama-se um pouco da mágoa eterna, esvazia-se das dores crônicas tanto quanto é possével, entrega-se ao sono da alma enfastiada e, então, renova-se. Recomeça-se. Retoma-se os velhos intentos, as lutas até então inglórias, as tentativas por ora fracassadas. Persiste-se. Resiste-se. Sobrevive-se.
Mais um dia à frente.
"Fecham-te a porta? Inventa uma ponte.
Bloqueiam-te a ponte? Defende-te com sonhos.
Agreditem-te os sonhos? Recria os seres humanos.
É isso impossível? Torna-te deusa ou deus.
Não deixam? Recomeça o circuito, sê o rio sem margens."
(C. Serra)
Tenho-te em mim.
(fev/06)
sábado, 26 de fevereiro de 2011
desejos
"fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro", do(s) encontro(s) um lar, de cada dia um recomeço... ir além.
(continua)
"Eu não vou mudar, não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval, sim
O mal vai ter fim
E no final assim calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim."
(De onde vem a calma, música linda do Marcelo Camelo)
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval, sim
O mal vai ter fim
E no final assim calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim."
(De onde vem a calma, música linda do Marcelo Camelo)
domingo, 20 de fevereiro de 2011
entrelinhas II
Sempre vale a pena
"Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa, são bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
E animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos, como eu, cantando assim:
'Você nasceu para mim,
Você nasceu para mim...'
Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas, como os cegos, sabem ver na escuridão
E eis que menos sábios do que antes
os seus lábios ofegantes hão de se entregar assim
'Me leve até o fim,
Me leve atém o fim...'
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso, são bonitas,
Não importa, são bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons"
Choro Bandido, música de Chico Buarque e Edu Lobo.
Apesar de tudo, a despeito de tudo, pelo avesso de tudo, à revelia de tudo, e de nós mesmos, através de tudo, amemo-nos.
(janeiro/2006)
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
junto
"Sonho que se sonha só
é só um sonho que se sonha só
Sonha que se sonha junto é realidade"
(Raul Seixas)
A gente sonhando junto e eu me peguei cantarolando isso pela rua...
é só um sonho que se sonha só
Sonha que se sonha junto é realidade"
(Raul Seixas)
A gente sonhando junto e eu me peguei cantarolando isso pela rua...
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
entrelinhas I
Sol
Pega os detalhes de mim que te aprazem, guarda-os contigo.
Releva os que te aborrecem, contorna-os, corrige-os.
Esculpe-me segundo tua verdade.
Constrói-me com a matéria dos teus desejos.
Burila-me até que eu possa entrar nos teus sonhos.
Faz de mim tua vertigem.
Não quero ser antes que tu me sejas.
Releva os que te aborrecem, contorna-os, corrige-os.
Esculpe-me segundo tua verdade.
Constrói-me com a matéria dos teus desejos.
Burila-me até que eu possa entrar nos teus sonhos.
Faz de mim tua vertigem.
Não quero ser antes que tu me sejas.
(janeiro/2006)
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
realidade
Numa brincadeira perigosa com ela, levando-a ao extremo tão temido, pagando pra ver o que vai acontecer.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
entrelinhas
Tive um blog entre 2006 e 2007 praticamente todo dedicado a um grande amor e que também foi uma ode continuada à melancolia. Como recebi o aviso de que ele está prestes a ser apagado, resolvi trazer algumas notas de lá, para não perdê-las. Chamava-se Entrelinhas - "Entre mim e mim há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos" (C. Meireles)
Ando novamente cansada do rastro de incompreensão que sempre deixo por onde passo.
Não, não é cansaço....
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha a espécie de pensar
Que se me entranha a espécie de pensar
E um domingo às avessas do sentimento,
Um feriado paassado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E tambem o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
da vida concreta -
Qualquer coisa como um grito
Por dar
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um,
E a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
Álvaro de Campos
Ando novamente cansada do rastro de incompreensão que sempre deixo por onde passo.
A quase misantropia sempre foi uma saída, nunca a solução.
O esquecimento, meu descanso.
O esquecimento, meu descanso.
Meu "falso cansaço"... Sempre comigo. Mais um detalhe de mim.
(janeiro/2006)
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
achado
O que fazer quando se acha um tesouro sabendo que podem tirá-lo de você ou que você mesmo pode perdê-lo? Você o guarda, claro. A sete chaves, num cofre, escondido, inacessível a todos, absolutamente só seu... e se ilude pensando que ele está seguro.
Felicidade e medo podem andar de mãos dadas.
Afinal, quem disse que o tesouro achado era seu?
Felicidade e medo podem andar de mãos dadas.
Afinal, quem disse que o tesouro achado era seu?
sábado, 29 de janeiro de 2011
sou a herança
A mãe voltou de viagem hoje, depois de 20 dias no Rio com a vó, que estava hospitalizada. Acabou de ir dormir depois de conversarmos por 3 horas madrugada adentro. Rimos, choramos, esboçamos planos para amanhã e para o ano.
Faz tempo que ela tem viajado com frequência, mas dessa vez foi diferente pra mim (e também pra ela, mas por outros motivos). Primeiro porque, diferente de outras vezes, em que eu apenas amava ficar sozinha, eu senti muito a falta dela dessa vez. Em diversos momentos eu realmente quis, pela primeira vez, que ela estivesse aqui para eu poder chorar as minhas dores no seu colo, mesmo que fosse para ouvir o conselho mais óbvio. Sempre afogo as mágoas em silêncio e a mãe não costuma ser lembrada por mim nesses momentos. Acho que foi a primeira vez que, além de reconhecer que ainda preciso, eu quis a ajuda dela.
Mais: foi a primeira vez que senti como imperativo o desejo de retribuir a ela todo o cuidado, todo o desvelo, toda a dedicação, tudo o que ela fez e faz por mim. Pela primeira vez o amor pela minha mãe, e por tabela, pelo meu grande e quase distante pai, me fez querer sair do meu buraco sem fundo. Foi a primeira vez que esse vínculo foi, dentro de mim, o único fio restante e forte o suficiente que me religou à vida. A primeira vez que eu quis ser apenas por causa deles. Como se no resultado final de toda a matemática existencial restasse apenas essa dupla.
Então, me dei conta: parece que já fiz totalmente as pazes com eles. O perdão.
Mais uma obra silente e misteriosa de Deus.
Faz tempo que ela tem viajado com frequência, mas dessa vez foi diferente pra mim (e também pra ela, mas por outros motivos). Primeiro porque, diferente de outras vezes, em que eu apenas amava ficar sozinha, eu senti muito a falta dela dessa vez. Em diversos momentos eu realmente quis, pela primeira vez, que ela estivesse aqui para eu poder chorar as minhas dores no seu colo, mesmo que fosse para ouvir o conselho mais óbvio. Sempre afogo as mágoas em silêncio e a mãe não costuma ser lembrada por mim nesses momentos. Acho que foi a primeira vez que, além de reconhecer que ainda preciso, eu quis a ajuda dela.
Mais: foi a primeira vez que senti como imperativo o desejo de retribuir a ela todo o cuidado, todo o desvelo, toda a dedicação, tudo o que ela fez e faz por mim. Pela primeira vez o amor pela minha mãe, e por tabela, pelo meu grande e quase distante pai, me fez querer sair do meu buraco sem fundo. Foi a primeira vez que esse vínculo foi, dentro de mim, o único fio restante e forte o suficiente que me religou à vida. A primeira vez que eu quis ser apenas por causa deles. Como se no resultado final de toda a matemática existencial restasse apenas essa dupla.
Então, me dei conta: parece que já fiz totalmente as pazes com eles. O perdão.
Mais uma obra silente e misteriosa de Deus.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
tapa*
"Acho que o desejo de viver uma vida significativa é universal. Para algumas pessoas, é trabalhar para atingir um objetivo. Para outros, é aproveitar todos os minutos de cada dia. Então, o que realmente significa viver plenamente? Talvez lutar para ganhar um prêmio Nobel e praticar skydiving sejam apenas dois lados da mesma moeda. Para mim, não, viver plenamente não tem a ver com conquista e recompensa. Tem a ver com saber que você tentou atingir, com o corpo e a mente, os limites de seu potencial. Você sente quando está correndo, e quando a música que você praticou durante horas finalmente ganha vida sob os seus dedos no piano. Você sente isso quando encontra uma ideia que muda sua vida, e quando faz, por conta própria, algo que você nunca se julgou capaz de fazer. Se eu morresse amanhã, morreria com o sentimento que vivi toda a minha vida em 110%."
Sophia, 18 anos, filha de Amy, a mãe-tigre.
*porque pra mim ela resumiu muito bem tudo. o problema, e por isso o tapa, é que se eu morresse amanhã...
Sophia, 18 anos, filha de Amy, a mãe-tigre.
*porque pra mim ela resumiu muito bem tudo. o problema, e por isso o tapa, é que se eu morresse amanhã...
pergunta que não cala
vivendo os dias só em pensamento. nada se converte em ação.
e dos pensamentos, mais perguntas, novas suspeitas.
sobre mim, continuo pensando na hipótese da alta expectativa ser o problema originário, embora não único. percebi que ela existe com relação a tudo e como é difícil para mim abandoná-la. em tudo estão os sonhos mais altos, a esperança de resultados e fins quase perfeitos. e talvez por isso aterrorizantes.
se eu apenas me planejasse para o mínimo... apenas ir à aula e estudar em casa, apenas passar de ano, apenas ter e manter meu trabalho e um salário, apenas ir à igreja, apenas orar e ler a Bíblia, apenas estar presente quando devo, apenas participar. se eu não esperasse ser brilhante ou quase perfeita e dar orgulho aos pais e ao Pai, se eu não quisesse tanto, talvez eu conseguisse. se aquela* pergunta do pai não me assombrasse...
*na vida você vai querer estar no palco ou na platéia?
e dos pensamentos, mais perguntas, novas suspeitas.
sobre mim, continuo pensando na hipótese da alta expectativa ser o problema originário, embora não único. percebi que ela existe com relação a tudo e como é difícil para mim abandoná-la. em tudo estão os sonhos mais altos, a esperança de resultados e fins quase perfeitos. e talvez por isso aterrorizantes.
se eu apenas me planejasse para o mínimo... apenas ir à aula e estudar em casa, apenas passar de ano, apenas ter e manter meu trabalho e um salário, apenas ir à igreja, apenas orar e ler a Bíblia, apenas estar presente quando devo, apenas participar. se eu não esperasse ser brilhante ou quase perfeita e dar orgulho aos pais e ao Pai, se eu não quisesse tanto, talvez eu conseguisse. se aquela* pergunta do pai não me assombrasse...
*na vida você vai querer estar no palco ou na platéia?
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Estranhos
Estranhos parecem gostar de mim. Sorriem, me aprovando. Me cumprimentam e esperam minha retribuição.
No ônibus, ao passarem por mim na calçada, ao pararem o carro ao lado no semáforo, nas filas, nos mercados, lanchonetes, etc.
Talvez seja assim porque eu não os encaro com estranheza. Apenas olho, como se já os conhecesse.
É que depois de algum tempo a gente entende que muito menos do que imaginamos nos separa uns dos outros. Somos iguais.
E toda vez que os olho, estão me olhando. Olham, olham, olham pra mim.
Me fazem sentir o mundo amistoso.
Então, dizê-los "estranhos" me soa um erro.
No ônibus, ao passarem por mim na calçada, ao pararem o carro ao lado no semáforo, nas filas, nos mercados, lanchonetes, etc.
Talvez seja assim porque eu não os encaro com estranheza. Apenas olho, como se já os conhecesse.
É que depois de algum tempo a gente entende que muito menos do que imaginamos nos separa uns dos outros. Somos iguais.
E toda vez que os olho, estão me olhando. Olham, olham, olham pra mim.
Me fazem sentir o mundo amistoso.
Então, dizê-los "estranhos" me soa um erro.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
mais uma
"Comece simplesmente, de onde você está.
Não existem pontos de partida."
Não existem pontos de partida."
Essa merece ir para o espelho e virar mantra.
E isso aqui já virou um blog de autoajuda. :-p
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
as coisas bonitas
ontem à noite saí de casa meio sem rumo. eu só queria sair mesmo, o que tenho feito pouquíssimo, dirigir devagar olhando ao redor, parar em qualquer lugar, olhar e esperar alguma coisa acontecer, qualquer imprevisto bom, que pedi em pensamento. fui à uma locadora sem idéia de que filme traria, embora tenha listas e listas de filmes a ver. depois fui a um supermercado 24h, desses estilo magazine, que tem de tudo. gosto bastante desses mercados, nunca estão muito cheios e eu adoro olhar prateleiras de qualquer coisa, mesmo sem interesse em comprar. daí que encontrei uma amiga de faculdade com quem tive e tenho pouco contato mas por quem tenho carinho, que sempre pareceu recíproco. estavam ela, a mãe e a irmã, que conheci ali. conversamos, conversamos, gente simpática, e de lá fomos jantar no japonês. jantamos, rimos, combinamos pedaladas e visitas para os próximos dias e nos despedimos agradecidas umas às outras com dizeres de "adorei te conhecer", "adorei de encontrar", "obrigada", trocando endereços e prometendo não deixar o contato nos escapar. eu adorei, muito mesmo, por várias razões: por ter um pedido singelo atendido, pelo contato agradável com gente gostosa de conversar, por mais um reencontro, pela quebra da rotina. mas eu desconfio que foi mais especial porque foi inesperado, porque foi esse presente do "acaso" (aspas em deferência ao Engenheiro das coincidências) para esse dia, porque veio me surpreender. a companhia delas foi maravilhosa e mesmo amando o contato que tivemos e poderemos ter daqui pra frente, eu confesso que lá no fundo de mim não tenho o mesmo entusiasmo em procurá-las como tive em encontrá-las por acaso, como se* o melhor de tudo eu já tivesse desfrutado.
*porque eu seu sei que não.
hoje um vizinho novo veio aqui em casa. ele se mudou aqui pra frente há uns 2 meses e como é de praxe, dona Nenê, a senhora minha mãe, estabeleceu contato logo, toda querida como ela é. o papo deles está dando tão certo que ele já prometeu que vai cuidar da infestação de cupim que está tendo em casa e outro dia subiu lá no telhado para trocar umas telhas quebradas que geraram goteira aqui (é, casa antiga é assim). ele, gente boníssima, todo solícito e tal. aí ele viajou no fim de ano, avisou a mãe e tudo. enquanto ele estava viajando, ela viajou, foi pro Rio ver a vó. ele deve ter chegado esses dias e hoje ele veio aqui saber se estava tudo bem porque faz dias que ele não vê a vizinha e ficou preocupado se a tragédia da chuva no Rio tinha afetado alguém da família. perguntou se a goteira parou e disse que qualquer coisa ele está ali. me deu até vontade de abraçar.
*porque eu seu sei que não.
hoje um vizinho novo veio aqui em casa. ele se mudou aqui pra frente há uns 2 meses e como é de praxe, dona Nenê, a senhora minha mãe, estabeleceu contato logo, toda querida como ela é. o papo deles está dando tão certo que ele já prometeu que vai cuidar da infestação de cupim que está tendo em casa e outro dia subiu lá no telhado para trocar umas telhas quebradas que geraram goteira aqui (é, casa antiga é assim). ele, gente boníssima, todo solícito e tal. aí ele viajou no fim de ano, avisou a mãe e tudo. enquanto ele estava viajando, ela viajou, foi pro Rio ver a vó. ele deve ter chegado esses dias e hoje ele veio aqui saber se estava tudo bem porque faz dias que ele não vê a vizinha e ficou preocupado se a tragédia da chuva no Rio tinha afetado alguém da família. perguntou se a goteira parou e disse que qualquer coisa ele está ali. me deu até vontade de abraçar.
Enriqueta e Felini, de Liniers. Quase existem mesmo, de tão fofos.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
calou fundo
"Antes de virar a página, você precisa lê-la"
(Baltasar Garzón, juiz espanhol)
Um outro modo de eu entender porque tanta coisa ainda não mudou por aqui.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
"Poison & Wine is a musical snapshot about the dichotomy of love - that while it can be the thing that destroys you, it can also be the very same thing that beckons and builds you. JP and I are both married have been for several years now - and we got to talking one day about what a tug and pull our individual relationships can be. The longer you know someone - and the longer you allow someone to know you - the more the light and shadows inside each person become more vivid. This song was our attempt at being as brutally honest about the dangerous and beautiful process of knowing and being known." (Joy Williams, The Civil Wars)
morri.
e o que a gente faz com todo amor que se acumula diariamente dentro do peito?
quero me derramar.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
silêncio
Os silêncios me praticam
(Manoel de Barros)
Viver é afinar o instrumento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
A toda hora
A todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
Porque...
Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo
A toda hora
A todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
(Walter Franco)
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
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