segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

entrelinhas III

Serei o rio

Chora-se um pouco, derrama-se um pouco da mágoa eterna, esvazia-se das dores crônicas tanto quanto é possével, entrega-se ao sono da alma enfastiada e, então, renova-se. Recomeça-se. Retoma-se os velhos intentos, as lutas até então inglórias, as tentativas por ora fracassadas. Persiste-se. Resiste-se. Sobrevive-se.
Mais um dia à frente.

"Fecham-te a porta? Inventa uma ponte.
Bloqueiam-te a ponte? Defende-te com sonhos.
Agreditem-te os sonhos? Recria os seres humanos.
É isso impossível? Torna-te deusa ou deus.
Não deixam? Recomeça o circuito, sê o rio sem margens."
(C. Serra)

Tenho-te em mim.
(fev/06)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

desejos

"fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro", do(s) encontro(s) um lar, de cada dia um recomeço... ir além.
(continua)

"Eu não vou mudar, não
  Eu vou ficar são
  Mesmo se for só
  Não vou ceder
  Deus vai dar aval, sim
  O mal vai ter fim
  E no final assim calado
  Eu sei que vou ser coroado
  Rei de mim."
   (De onde vem a calma, música linda do Marcelo Camelo)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

entrelinhas II

Sempre vale a pena

"Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa, são bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
E animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos, como eu, cantando assim:
'Você nasceu para mim,
 Você nasceu para mim...'
Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas, como os cegos, sabem ver na escuridão
E eis que menos sábios do que antes
os seus lábios ofegantes hão de se entregar assim
'Me leve até o fim,
 Me leve atém o fim...'
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso, são bonitas,
Não importa, são bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons"
Choro Bandido, música de Chico Buarque e Edu Lobo.
 
Apesar de tudo, a despeito de tudo, pelo avesso de tudo, à revelia de tudo, e de nós mesmos, através de tudo, amemo-nos.
(janeiro/2006)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

junto

"Sonho que se sonha só
é só um sonho que se sonha só
Sonha que se sonha junto é realidade"
(Raul Seixas)

A gente sonhando junto e eu me peguei cantarolando isso pela rua... 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

entrelinhas I

Sol

Pega os detalhes de mim que te aprazem, guarda-os contigo.
Releva os que te aborrecem, contorna-os, corrige-os.
Esculpe-me segundo tua verdade.
Constrói-me com a matéria dos teus desejos.
Burila-me até que eu possa entrar nos teus sonhos.
Faz de mim tua vertigem.

Não quero ser antes que tu me sejas.
(janeiro/2006)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

realidade

Numa brincadeira perigosa com ela, levando-a ao extremo tão temido, pagando pra ver o que vai acontecer.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

entrelinhas

Tive um blog entre 2006 e 2007 praticamente todo dedicado a um grande amor e que também foi uma ode continuada à melancolia. Como recebi o aviso de que ele está prestes a ser apagado, resolvi trazer algumas notas de lá, para não perdê-las. Chamava-se Entrelinhas - "Entre mim e mim há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos" (C. Meireles)

Não, não é cansaço....
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha a espécie de pensar
E um domingo às avessas do sentimento,
Um feriado paassado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E tambem o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
da vida concreta -
Qualquer coisa como um grito
Por dar
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua
 Que formidável realejo
 Que é a guitarra de um,
 E a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
                                    Álvaro de Campos

Ando novamente cansada do rastro de incompreensão que sempre deixo por onde passo.
 

A quase misantropia sempre foi uma saída, nunca a solução.
O esquecimento, meu descanso.
Meu "falso cansaço"... Sempre comigo. Mais um detalhe de mim.


(janeiro/2006)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

achado

O que fazer quando se acha um tesouro sabendo que podem tirá-lo de você ou que você mesmo pode perdê-lo? Você o guarda, claro. A sete chaves, num cofre, escondido, inacessível a todos, absolutamente só seu... e se ilude pensando que ele está seguro.

Felicidade e medo podem andar de mãos dadas.
Afinal, quem disse que o tesouro achado era seu?