quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Fim do 'oceano de incerteza e dor' que esse blog era aos olhos dele.
Sem vontade de continuar por aqui.

Despeço-me.

Pôr-do-sol.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Júri

Fui selecionada para o Tribunal do Júri. Quando me inscrevi fui movida pela curiosidade, mas agora, só sinto o peso da responsabilidade. Dar um voto sobre o comportamento de alguém que implica decidir seu destino nos próximos anos. No cotidiano, somos tão acostumados a julgar uns aos outros, temos por tão natural esse ato que perdemos de vista o quão temerário é julgar. Foi preciso eu sentar num Júri para perceber isso. O que sabemos sobre alguém? Mesmo que íntimos, o quanto realmente sabemos? Quão funda e misteriosa pode ser a alma de uma pessoa! Só a perfeita objetividade pode ser justa e não a temos nunca. Nem a teremos. Como, então, nos arrogamos o direito de julgar a quem quer que seja? Que grande arrogância emana desse cacoete tão comum. De repente, sinto vergonha de mim e de todos e tenho vontade de pedir desculpas por todos nós.

Para eu lembrar: Coloque-se no seu lugar. Ao redor só há espelhos.

sábado, 27 de setembro de 2008

Voltando para casa


Uma vez por semana eu volto para casa antes ou durante o pôr-do-sol. No meu mundo ideal isso seria possível diariamente (será). É por isso que eu sou grata por poder voltar com os pássaros ao menos 1 vez a cada 7 dias.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Enquanto eu durmo

Eu não tenho vivido direito. Tenho postergado atenções, providências, compromissos. Tornando mais complicada a vida, em resumo, e por motivo que ainda desconheço. É um impulso para o nada que me habita desde... sempre. Daí que, não vivendo acordada, tenho vivido dormindo. Tenho sonhado muito e com múltiplas coisas ultimamente, vários sonhos por noite, cheios de cotidiano. E muitos deles desconcertantes, cujos conteúdos não sei bem interpretar.
Incomodando: um rato que me mordeu na biblioteca e um menino que invadiu área privada.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Dureza

Sabe quando você tem um problema muito, muito grande que, mesmo empreendendo os maiores artifícios e todos os recursos que estão ao seu alcance, você não consegue resolver? Mesmo ouvindo todos os conselhos, procurando as melhores informações a respeito? Que te angustia, te tira o sono, o sossego, que te entrega à uma agonia que parece não ter fundo, que te desespera mesmo? E aí, depois de tanto tempo tentando em vão, vc simplesmente abandona o caso e espera pra ver o que acontece? Então...
O problema sou eu. Aff..

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Inverno

Doente na metrópole.
Um coração inquieto, uma mente intranqüila e um corpo tentando dizer algo que não sei entender. Ou sei.
A boa sensação de anonimato novamente. Ser apenas estatística, só mais um número. Mais um sintoma, mas de outra doença.
Desta vez, vendo a cidade triste.
E discussões sobre as misérias do mundo num dos hotéis mais caros do país.



Quero mais Deus na minha vida.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

sábado, 9 de agosto de 2008

mel

e agora eu simplesmente me impressionei com o mel. como podem uns míseros(!?) insetos fazerem uma coisa tãão gostosa e saudável para nós? tá, tem toda uma explicação bioquímica, fisiológica e tal, mas isso não elimina a mágica surpreendente ali.
eu fico olhando...
já faz uns dias que estou comendo mel por puro espanto.


Agora me diz como não vê-Lo?

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Errata

Segredos involuntários desse cor inquietum. Que escapam com tosco disfarce. Porque um não conhece o outro, porque não se conciliam. Porque seu encontro é um choque que me parte ao meio. Uma decisão que adio e que procuro esconder, como evidencia esse cor. Filhos bastardos da minha insegurança, do medo, da hesitação que me dá forma, essas mãos que me esculpiram.
Alma retesada a ponto de arrebentar.
Me resumem - e se embaraçam - o amor que sinto e a tenho.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

a instabilidade poderia ser o veneno antimonotonia.
mas é uma montanha russa sinistra. te faz chegar àquele ponto mais alto, onde a vista é a mais linda e o horizonte mais promissor, só para te fazer descer maldosamente quase em queda livre, apavorado, quase sem esperança.

então eu vejo que o mesmo quase que me impede de ser completa, é o que me salva de desistir totalmente.

sábado, 26 de julho de 2008

hoje o tempo voa, amor (anotações)


Escorre pelas mãos.

Quem não tem essa sensação?
Difícil passar ileso pelo mundo. Não ser conduzido, induzido, contaminado, manipulado, iludido, enganado. Fizeram o tempo voar e eu não consigo acompanhar. E eu não consigo me tranqüilizar.

Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou...

E eu querendo viver 100 anos "para dar tempo de tudo". Uma sensação pontiaguda de tanto tempo perdido até aqui, à beira de 3 décadas de existência, pela doença, pelo autismo, pela insegurança, pelo que não sou. Mais a obrigação auto-imposta de me ressarcir, o senso de dívida comigo mesma, com eles e com Ele.

Mas temos muito tempo, temos todo tempo do mundo...

É a vida moderna, a quantidade enlouquecedora de informação a que temos acesso e que não conseguimos digerir, a pressa para alcançar o que quer seja, 'chegar lá', a minha dificuldade de eleger prioridades, querer engolir o mundo com a boca de uma vez só e por isso mesmo não conseguir nem um ínfimo pedaço digerível dele. Tudo chamando minha atenção ao mesmo tempo, tudo me chamando para ver, para saber, para descobrir, para viver, para ser e eu como um radar desgovernado. Do tudo, nada fica, nada absorvo, nada sou.

Sempre em frente
Não temos tempo a perder...


O tudo que atrai é o que distrai.
Eu enxerguei a pós-modernidade ontem.
Lembrar que a cada escolha, uma renúncia se exige. Simples assim.
Abrangência ou profundidade?
Suspeito que seja mais saber que viver o que me impacienta, me angustia.

Temos nosso próprio tempo...

Somos reféns.

Somos tão jovens...

Quero paz.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

semeadura

sedimentando a semana de oração e meditação. orando por quem nem me conhece. sendo movida a isso.
medo da confusão no coração. interesse e misericórdia.
mudança por dentro. ELE. novos hábitos sendo construídos. um homem que passou por aqui trazendo-O e movendo tudo.

sábado, 19 de julho de 2008

Uma semana

Semana intensa. Noites cheias de palavras de vida, ditas por alguém que se dispôs a servir. Inspiração. Dias de intensa reflexão, mas não em silêncio. Gente ao redor. E um congestionamento interno acontecendo, coisas que não são totalmente assimiladas com a mesma velocidade com que se acumulam por dentro.
Em mim, um chamado: joelhos. Não é força, não é coragem, não é fidelidade, não é nem fé, é só uma imposição da minha alma hoje. Não sou eu, afinal.
No mais, levará algum tempo para eu entender o que realmente se passou. Tempo para elaboração. Repetir, recordar, elaborar.
Ao meu desejo, a promessa: "eis que faço novas todas as coisas". A Ele, o eterno "muito obrigada".
Espero ainda poder entender e dizer melhor sobre esses dias.

domingo, 13 de julho de 2008

me olha direito

para elaborar:
o que sua roupa diz sobre você?
qual a sua verdade?

terça-feira, 8 de julho de 2008

Preguiça de gente

Faz uns dias que um mesmo assunto permeia as conversas que tenho com diferentes pessoas: relacionar-se dá trabalho. É preciso uma dose de dedicação, de tolerância, paciência e bla bla blá. O problema é: quem está realmente disposto a isso hoje (a gente fala hoje porque é o hoje que conhecemos e a comparação com tempos idos se dá por intuição, suposição e, na melhor das hipóteses, dedução)?
Gente dá trabalho.
Tem um moço carente no grupo e todo mundo corre dele. Aí alguém falou em voz alta uma coisa difícil de ouvir, que as pessoas só estão dispostas a ajudar a outras se para isso nada doer nelas mesmas, se nada incomodar. E ajudar inclui relacionar-se.
Alusão necessária ao hedonismo, filosofia de vida predominante ao redor, com direito à campanha publicitária permanente e tudo. É só parar para ouvir, para ver, vale qualquer coisa para "ser feliz", para seu bem-estar pessoal e isso inclui uma gama inesgotável de pequenas(sempre com a máscara de inofensivas) e grande coisas. A aplicação diária de "o fim justifica os meios" no âmbito da vida privada, dos relacionamentos pessoais.

(Nossa. Esse assunto dá pano pra manga...)

De minha parte, fui contaminada pelo desapego, mas tento usar a razão e me guiar por princípios para não ficar cega para a gente que me cerca. Tento. Deixo falar a intérprete: "Às vezes, me dá enjôo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta. E e só." (Lispector) Infelizmente, é só. Longe, tão longe do ideal.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Essa pressa

Quarenta minutos limpando verduras. Pensando que é por isso que não dá pra se dar o luxo de cozinhar pra si próprio diariamente. O tempo, o tempo. Aí uns podem dizer "tanto a fazer, a produzir, blá blá blá..." Verdade, mas eu não posso. Porque desperdiço tempo com tantas coisas inúteis, muitas até nocivas à minha alma, que esse argumento se perde.
E essa coisa do tempo é mais um dos meus estranhamentos nesse mundo. Conseguiram incutir em nós uma pressa, uma urgência que vem não sei de onde. Ou sei. Fato é que ninguém tem o direito de seguir a vida, descobrir o mundo e amadurecer no seu próprio tempo sem ser julgado por isso, sem se sentir um retardado, na acepção mais pejorativa do termo.
Acho que é uma pressa meio parente daquela nossa velha conhecida, a contagiante, onipresente e triunfante competitividade, nem que para esse triunfo o adversário em vista tenha de ser você mesmo.
Essa pressa não é minha e eu nunca tive espírito competitivo na vida.
Tudo isso só pra confirmar mais uma vez que eu não sou daqui. Ou para eu me convencer de que eu não vou me adaptar mesmo.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

...ou devoro-te

não pode errar, não pode falhar. tem que ser bom. não, o melhor. melhor que o outro, melhor que eles, melhor que si mesmo, todo o tempo. e em tudo. todos são concorrentes, adversários. cuidado com eles. vai ficar pra trás?
correndo atrás do quê, pelo quê, para quê, eu não sei.
trouxa.


é fácil ser engolido, ser corrompido. correr atrás das metas dos outros, tornar-se mais uma rês no pasto do sistema.


sábado, 7 de junho de 2008

Cachos

Parece que, em alguns meios, cabelo cacheado é algo realmente subversivo, totalmente contra a ordem.
Aí eu vejo que dá pra ser revolucionário desde as pequenas coisas, aparentemente insignificantes. E um mero cabelo cacheado passa a ser, também, um posicionamento político.

"The personal is political", lema do movimento feminista estadunidense na década de 70. Endosso.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Afff...

Está uma bagunça geral por aqui. Bagunça do lado de fora exatamente porque por dentro não tem nada no lugar mesmo, é óbvio. Para perceberem, eu conto um pedaço: esqueci que tinha de trabalhar nesse domingo. Olha isso. Não querer ir, ficar com preguiça, chegar atrasada, isso tudo já fiz, mas simplesmente esquecer, primeira vez. Assustei, né? Claro. Odeio isso, odeio essa desordem interna. Porque ela atrapalha toda minha visão do mundo, estreita mesmo meu campo visual, põe o umbigo da frente de tudo, como uma cortina grossa na janela que mal deixa entrar a claridade do dia lá fora. A sensação é de que perdi as rédeas de vez. Quase desesperador. Mas só quase.

domingo, 1 de junho de 2008

Janela



O olho é uma janela, né? E é nela que eu me vejo o tempo todo olhando lá fora. Hoje eu não sinto tanta falta de ir lá fora ver de perto ou tocar, experimentar. Para a maioria das coisas me basta ver daqui, da minha janela particular. Eu gosto mesmo é de olhar. Então, eu ando pelo mundo prestando atenção em tudo o que se me apresenta, tanto quanto minha janela (quase sempre) aberta me permite ver.

domingo, 13 de abril de 2008

Processo

E desde então uma grande mudança está em curso.
Aos poucos reconhecerei essa nova pessoa que se constrói.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Enjoei

De mim.
Tentando um novo lema: abaixo a subjetividade. Amputação do próprio umbigo.
Então...
Pausa para mudança.

Se conseguir (ou não), devo voltar para contar.


Coração o quê?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Umbigo

Eu sei, sou mesmo uma alienada. Autista. Vivo num mundo fechado, hermético, privativo demais, impermeável, quase incomunicável com a vida real. Praticamente uma pteridófita. Estéril. "Sem os pés no chão". Vivo fora de tudo, vivo tudo pra dentro. E não dá pra disfarçar tanto quanto eu gostaria.
Mas talvez valha dizer não é o que gosto de ser e que não fui - nem serei - sempre assim.


Coração estrangeiro.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Lar

Eu acho que existe mesmo uma idade de se ter a própria casa. E pelo que tenho sentido, não se deve em nada a imposições sociais, a nenhuma cobrança por demonstrações de independência, autonomia, maturidade, essas coisas que esperam de nós a uma certa altura da vida. É um sentimento que surge por dentro mesmo, devagar, à medida que viramos 'gente grande'. Eu sinto isso. Sinto uma necessidade muito grande de ter o meu lar (adoro essa palavra), do meu jeito, sob a minha responsabilidade, administrado e cuidado por mim. Sinto essa precisão* de fazer um lugar pra mim no mundo, sobretudo por eu ser tão caseira, tão mais para dentro que para fora. Porque aqui com a mãe nada é do meu jeito e nem o posso impôr. Nem devo, embora, às vezes, em pequenas coisas (bem, um lar é todo feito de pequenas coisas) acabe por fazê-lo e de forma meio atrapalhada. Então eu fico querendo montar um quarto-mundo. Vivo sonhando com o quarto que eu espero ter enquanto viver aqui, antes da minha casa existir. Eu o monto e remonto infinitas vezes na mente. Como faço com toda a minha vida, aliás. Mas aí esbarro na porta fechada do dia: la plata. E vem-me a sensação de ser interrompida, dessa porta ainda fechada para tantas pequenas realizações que me fariam feliz.
Assim, há que se ter paciência. Nada de pressa. Hoje eu compro só a estante nova. E já fico bem feliz.

* 'precisão' parece mais forte, maior que 'necessidade'

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Códigos

Num intervalo de uma semana ouvi de 3 pessoas distintas que uso uma linguagem cifrada. Uma disse-me exatamente isso, que falo em códigos, outra disse-me que converso comigo mesma e a outra somlesmente disse que não entendia o que eu falava. E em todas as vezes eu falava de sentimentos, os meus.

ai.

Do amor

Fico sempre pensando no amor. E pensando nele como troca entre duas pessoas. Eu sei que há o amor gratuito, abnegado, que não espera nada - ou, ao menos, sobrevive sem receber nada - em retribuição, como o amor de pais e mães por seus filhos. Mas sei também que em outros amores entrega-se a si mesmo por haver prazer na entrega, mas guardando-se também uma expectativa de ser bem recebido aquilo que se dá e talvez receber algo vindo de quem tanto se amou. Eu ficava bem confusa nessa parte. Porque achava que o 'verdadeiro amor' é auto-suficiente, não espera nadinha em troca da doação de si mesmo. E achava também que esperar reciprocidade é negociar o amor, é torná-lo moeda para comprar o que se precisa, seja carinho, atenção, consolo, segurança, qualquer coisa, até o próprio amor. Achava que era deficiente esse amor sentido assim, cheio de expectativas. Achava que era até doente aquele que o sentia. Pobre ser humano esse tão carente de tudo, que quer comprar amor com o suposto amor que sente, que ama pra sentir-se amado. Assim eu pensava. Há esses, sim. Mas o sintoma da 'doença' não é a expectativa. Essa é saudável. Até Deus, que é o próprio amor, que ama incondicionalmente, espera nosso amor por Ele, vive esperando que O amemos, mesmo do nosso jeito torto. Por outro lado, não será doentio o amor - humano - que esvazia uma pessoa inteira sem que esta nada receba de quem é tão amado pra refazê-la? Pais e mães doentes? Não, é amor de verdade, sim, mas outra forma de amor, superior, o desenvolvimento máximo da capacidade de amar humana, quando se chega mais perto do amor de Deus.
Uma vez ouvi psicanalistas falando de relacionamentos segundo Lacan. Falavam mais ou menos isso, angústia e preenchimento na troca relacional. E já me disseram também que Freud falou algo assim, que o que damos, mesmo que seja um simples elogio a alguém, tiramos de nós, subtrairmos do que somos, portanto, faz-nos sentir menos inteiros, à espera de nova completude.
Eu não sei o que é certo ou errado, verdadeiro ou falso em tudo isso, mas sei que me sinto exatamente assim quando amo. Preencha-me.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Madrugadas

Ando de volta às madrugadas de uns anos atrás. Os dias têm sido tão quentes e eu tenho estado tão limitada por este pé quebrado que as madrugadas voltaram a ser mais agradáveis com seu silêncio e a brisa fresca. Solidão de paz.
Violão ressuscitado, dedilhando baixinho, sussurrando umas canções.
Caderno e caneta sempre à mão. Anotando pensamentos, essas sensações. Essa mania de registrar.

E um otimismo meio tímido aqui. 2008 começou. Adoro começos. Um sorriso na alma, apesar de alguma apreensão por alguns novos pequenos planos e pelo grande sonho, o mais esperado, o mais desejado, o maior de todos, que será real.
Respiro fundo.
Vai, vida! Vamos!

E como sempre(ainda bem), eu agradeço.