quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Fazendo caminho



XXIX
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

XLIV
Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre la mar.
(Em Proverbios y Cantares, de D. António Machado)

Eu tenho uma quase fobia de seguir sozinha na vida, sem guia, sem saber previamente qual o rumo, o ritmo, onde pisar, etc. Medo mesmo. Espírito de aventura nulo. Não é medo de ir sozinha, é medo de ir sem bússola. Porque não precisa, necessariamente, vir alguém ao meu lado, desde que me sejam dadas as coordenadas e as instruções. Um mapa, um plano, um manual. O sol de um girassol.
É o sonho de um mestre, um professor, um orientador, tudo isso que me encanta tanto, meu sonho de pai, esse tão difícil de viver embora ambos queiramos tanto. Meu sonho que é Deus.
Porque nem eu sei o caminho que leva aos meus sonhos.
Porque sou tão perdida na vida que se me soltar a mim mesma, fico à deriva.
Mas eu quero seguir. E vou. Haciendo caminos.

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