Consciência negra não é apenas uma questão política pra mim, é um assunto pessoal, porque é parte importante da minha formação, da minha identidade. Fui criada para ter essa consciência e agir de acordo com ela, não para ignorá-la e me abster de posicionar-me. Sou filha, neta e bisneta de negros e a cor da pele fez a diferença na história da minha família e na vida de cada um de nós. Fomos escravos, mucamas, ama-de-leite, lavadeira, operário e... médico. Meu pai é o Zumbi da família, o primeiro dela a quebrar o ciclo da servidão e a escrever uma história diferente da prevista. Cresci ouvindo suas histórias de luta e vitória contra cada barreira que o preconceito lhe impôs. E foi só depois dele que irmã, primos, tios, sobrinhos e filhos começaram a fugir também. Somos uma família de quilombolas, uns mais livres que outros, uns mais conscientes que outros, mas todos na luta, porque a resistência continua.
Zumbi foi morto em combate em 20 de novembro de 1695 e sua cabeça foi exibida em praça pública a fim de coibir novas revoltas e fugas entre os escravos. Mas o efeito foi oposto, despertando em muitos a consciência de que era preciso lutar contra a escravidão e as desigualdades como Zumbi ousou fazer, e permanece até os dias de hoje.

Um comentário:
Minha expressão de respeito por toda lembrança negra no Brasil.
A resistência continua.
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