quarta-feira, 24 de novembro de 2010

diagnóstico

Eu quis saber de uma vez por todas se essa coisa que eu sou era defeito de caráter mesmo ou se era doença. Só queria saber se tinha cura, solução. E daí que, depois de uns 10 anos perdida pra dentro, eu descubro que nunca foi depressão o nome do que eu tinha. Pelo menos, não a princípio. É ansiedade.
Me emocionei ao entender mais detalhes sobre fobia social e ver na descrição de uma doença meu comportamento esmiuçado, minha vida inteira ali relatada em inumeráveis situações que me voltam à mente como relâmpagos, vividas desde a mais tenra idade. A mais tenra.
Um medo irracional - mas que em alguns momentos me convenci serem justificáveis - de ser avaliada e reprovada em quase todas as situações sociais de desempenho. A insegurança patológica.
Todas as vezes em que tive sucesso em algo que fiz ou estive em posição de destaque na vida eu tropecei no passo seguinte e estraguei tudo EXATAMENTE POR CAUSA DISSO. Ser bem-sucedida sempre me foi mais sofrido, porque exageradamente estressante, do que o contrário. Alto índice de evitação da vida, porque qualquer pequeno empreendimento é sempre um desafio grande demais, aparentemente invencível.

Meu Deus.
Senhor.

Por quantos médicos eu já passei? Por quantos psicólogos? E ninguém percebeu do que eu sofria realmente. De repente, eu olho para trás e consigo compreender quase todas a escolhas que eu fiz e que eu mesma não entendia à época.

E 2010 marcando meu tempo, quiçá fechando um ciclo. Meus 30 anos.


Coroados com mais um marcante email do meu pai:
"(...) HOJE (...) SOLICITEI A DEUS, O GRANDE LIBERTADOR DOS GRILHÕES QUE NOS ESCRAVIZAM (PSICOLOGICOS), QUE VENHA A DAR A VC UMA LIBERDADE DE SER ÚNICA, MINHA FILHA.
SEI QUE PASSAMOS POR DIVERSOS PERIODOS DE DESERTO (ESCRAVIZAÇÃO); PROFETIZO NESTE MOMENTO NA SUA VIDA QUE VC ESTÁ E SEMPRE SERÁ LIVRE EM NOME DE DEUS (LEVANTA E ANDA EM NOME DE JESUS!!)
(...)

TE AMO (...) EM NOME DE DEUS, TENHO FÉ QUE IREMOS VIVER UM NOVO TEMPO EM NOSSAS VIDAS."
Amém, pai. Amém, Pai.

Um comentário:

C. Adalgisa disse...

Sistaê, que descoberta é essa.
Como assim, que felicidade em mim! Que lindo esse post, você é muito especial.
Os profissionais,
Os dois Pais,
A liberdade.
Adiante com novos olhos e uma certeza a mais!
Temos em comum necessidades diferentes, todavia reerguemo-nos à sombra do mesmo amor.
Amo você, vc.