Acho que não está tudo bem, não.
Às vezes penso que é só uma fase difícil, porque a autoavaliação está sendo dolorida, o vaso está quebrado de novo, estou - quero crer - em mudança e por isso não estou sendo o que sempre fui com naturalidade. Mas temo que não seja só isso e que eu esteja apenas racionalizando mais um declínio do humor, a dissipação das vontades, o arrefecer gradual do ânimo, do èlan vital, o esforço sobre-humano para fazer o básico, o desinteresse generalizado, revisitando a melancolia como pessoa madura, sem abandono das responsabilidades, apenas caminhando sem sorriso pelos velhos itinerários diários.
Por outro lado, me questiono se não estou refém da obrigação autoimposta de estar sempre bem, feliz, disposta e entusiasmada com a vida. Pode ser só uma fase, uns dias maus, como tantos vivem, e por isso ainda fico observando, esperando que, com o decorrer do tempo, simplesmente passe, assim como começou.
Sou menos feliz, prestimosa, altruísta e simpática do que imaginava (essência) ou falta algo na minha neuroquímica que me impede de ser o que sou (estado)?
Mais perguntas sem respostas para esses dias estranhos. Caminhando, pra ver onde essa trilha vai me levar. Tô com Ele.
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