mudança no mundo e a tímida sensação, ainda em análise, de que, como nunca antes, na profundidade e no significado...
meu coração se atentou tão sensivelmente às dores do mundo, às lutas de tantos;
meu olhar tem se aguçado e minhas entranhas se tornado tão intolerantes à injustiça;
me senti tão próxima às pessoas que sofrem, que são oprimidas, roubadas, violentadas, esquecidas, mortas - de tantas formas, lenta e subitamente a cada dia - a cada minuto;
quis tanto estar junto a quem não é aceito e é rejeitado, maltratado, excluído, ignorado e mal suportado por ser diferente, para lutar junto, para reerguer, animar, para defender, reavivar, caminhar.
quis tanto me levantar em nome do outro, que no paradoxo da alteridade amante, sou eu também.
me senti tão conectada.
fui e quis ser tantas, tão ampla e em expansão.
temi tanto a indiferença e cegueira de que sou capaz.
quis tanto ser a diferença, o contraponto.
nunca pensei tanto a respeito e nunca tive tantas dúvidas sobre como fazê-lo.
"nunca antes". não é uma afirmação, mas uma hipótese, uma suposição. porque ser não é um estado, mas um mover dinânimo e por isso nada sobre mim é categórico, definitivo. as mudanças, então, continuam, do mudar que nos leva a ser mais nós mesmos.
por nova via, uma que não passa pela estrada da aprovação nem pega desvio nos atalhos dos ganhos secundários, cheguei
mais uma vez ao mesmo lugar, à mesma vontade, que se faz sonho, como tudo em mim.
não posso crer que não é Ele aqui.
e o que faço com isso? velhas perguntas renovadas.
a busca.
e cá nos planos pra vida, talvez tudo mude mais uma vez.
"caminante no hay camino,
se hace camino al andar"
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