terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

entrelinhas

Tive um blog entre 2006 e 2007 praticamente todo dedicado a um grande amor e que também foi uma ode continuada à melancolia. Como recebi o aviso de que ele está prestes a ser apagado, resolvi trazer algumas notas de lá, para não perdê-las. Chamava-se Entrelinhas - "Entre mim e mim há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos" (C. Meireles)

Não, não é cansaço....
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha a espécie de pensar
E um domingo às avessas do sentimento,
Um feriado paassado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E tambem o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
da vida concreta -
Qualquer coisa como um grito
Por dar
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua
 Que formidável realejo
 Que é a guitarra de um,
 E a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
                                    Álvaro de Campos

Ando novamente cansada do rastro de incompreensão que sempre deixo por onde passo.
 

A quase misantropia sempre foi uma saída, nunca a solução.
O esquecimento, meu descanso.
Meu "falso cansaço"... Sempre comigo. Mais um detalhe de mim.


(janeiro/2006)

2 comentários:

C. Adalgisa disse...

Huu deu arrepio, blog de 2006 e 2007. Os amigos que lhe conhecem não carecem introdução para estes anos. Que legal fazer a releitura dos posts passados e que ainda são presentes. Opinião: não guarda tudo de lá, deixa apagar.
Um desejo para nós: não ser os mesmos por toda a vida.
Muitos beijos.

corina disse...

ê, Dalgisa... sábias palavras... lov.