Se tem uma coisa que morde meu orgulho, essa coisa é ficar doente. Raiva mesmo, indignação. Que bela alfinetada na minha justiça própria. Vegetariana, natureba, ativa, lubrificando as engrenagens da máquina regularmente, blablá, como me cuido, oh, como sou perfeita, oh, como eu tento ser!
Aí vem um vírus. Um mísero micróbio querendo tomar meu território, o espaço mais íntimo e restrito que ocupo no mundo, que é o meu corpo. Vem me dizer como sou frágil. Vem me lembrar como sou vulnerável. Vem me pôr no meu lugar.
Com o pouco que sei, consigo identificar cada passo dele nessa empreitada aqui dentro. Percebo quando o corpo sofre o primeiro ataque, reconhece sua presença e então declara guerra. Declaramos!
Chá de tudo o que conheço, alimentação estritamente terapêutica, o subestimado repouso, tão indispensável, soluções, sucos... Cercamos o inimigo por todos os flancos. Investimos todas as nossas armas físicas e psicológicas contra o adversário numa renhida luta, ao fim, gloriosa! Em 8 dias derrotamos o adversário!
E eu saí de cabeça erguida, triunfante, orgulhosa por não ter usado uma droga sequer contra um mal tão banal como uma gripe. Mas, dessa vez, não deixando escapar a lição na qual ainda reprovo: humildade.
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