Pessoas superinteressantes. Almas expandidas que me despertam um enamoramento instantâneo, uma paixão, a urgência de conhecer, de saber, saber, saber, descobrir, mergulhar e devorar tudo de novo, belo, rico, complexo, alto e denso que vejo dentro de e ao redor delas. Cada uma é sempre um mundo novo todo envolvente e tudo o que há nele é uma isca pra minha alma, que sempre eu mordo e, então, sou fisgada. Lá dentro navego inebriada, pegando todas as pistas, observando todos os registros, todas as marcas, toda história visível e invisível, essa tão mais interessante e tantas vezes mal disfarçada, todo rastro deixado pelo caminho. São outras referências, outras leituras, outras trajetórias, músicas, cores, livros, ideias, escolhas, sentimentos, fantasias, sonhos, ilusões, enganos, medos e erros diferentes ou até similares aos meus, tanta coisa, tudo... E quando percebo, estou longe, num universo alheio que eu penso queria pra mim, em que eu, creio, até viveria, mas que se situam a uma distância calculadamente perigosa do meu caminho, mesmo que tangenciem meu desejo. Nem tão longe que eu não possa avistar, alcançar e adentrar, nem tão perto que eu possa habitar.
São mundos que tem muito - ou tudo, ainda não sei - do que me encanta, mas lhes falta algo. Não tem o que transcende o finito, o que salta desta vida para o eterno, o que alça uma alma ao mais amplo e elevado grau do viver. São mundos lindos, mas incompletos. Apaixonantes, mas ariscos. Instigantes, mas confusos, errantes. Ainda assim, me atraem de tal modo que eu preciso de toda força racional possível para voltar ao meu e dar lugar certo àquilo que realmente importa pra mim, mesmo que duvidoso ou inexistente pra tantos. Força para relembrar porque eu não os habito, ou porque não construo o meu universo particular como o deles, mas resido aqui, nesse meu espaço ainda mal delimitado, o qual procuro, constantemente, esvaziar de mim para preencher com outro Ser.
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