quinta-feira, 19 de abril de 2012

minha nova anti-teoria

Há cerca de um mês eu passei 4h explicando aos mais próximos amigos meus o meu ponto de vista sobre a vida, no que concerne à realização profissional, à vocação pessoal de cada um e como eu creio que ela deve ser vivida. A conversa continuou via emails e eu era até então a pessoa mais convicta de seus próprios argumentos que eu já tivera notícia. Só que ao contrário.

Vieram dias de autoimersão, escavando um insconciente que eu achava que considerava, mas que há muito estava sendo ignorado, absolutamente subtraído dos meus cálculos existenciais. Noves fora e... a conta não batia, claro.

Do velho e recorrente mergulho para dentro, ora assessorado, comecei a entender que todos esses anos em que eu tentei agir de outra forma sem conseguir e que tudo o que eu já havia feito sem compreender minhas motivações (mesmo tentando sempre elaborá-las da maneira mais lógica e plausível possivel) apenas me mostrava que nenhuma razão encontrada era a verdadeira força-motriz do meu agir e que, portanto, eu ainda me desconhecia. O insconsciente reinava soberano. Era ele, afinal, quem tinha ditado as regras desde sempre e todos esses meus sagazes argumentos só serviam para eu explicar para mim e para os outros o que eu não entendia.

Vai daí que cheguei ao forçosamente humilde e consequentemente difícil ponto em que minhas próprias explicações para o meu comportamento já não me convencem mais. São insuficientes, inconsistentes. Sinceramente, hoje a resposta que tenho aos que me perguntam por que eu não terminei a segunda faculdade mesmo sendo tão inteligente, tão capaz, tendo tanto potencial e blablá é um singelo e honestíssimo "não sei".

Essa semana estou pensando em mudar tudo de novo e contrariar mais uma vez as expectativas gerais sobre mim de uma grande carreira de sucesso. Ideando voltar a estudar apenas para outras oportunidades de concursos públicos e depois cursar uma facul menos "promissora" despretenciosamente, por diletantismo, só para ter um diploma, poder aprender coisas legais sem pressão e fazer concursos melhores... e depois fazer outra facul light... e outra... e assim levar a vida mais linda que eu já consegui imaginar pra mim, a mais simples que já sonhei, trabalhar em segurança, não para provar competência aos cruéis olhos do mundo-cão, mas para obter o sustento apenas, continuar sempre estudando (porque como aluna é como eu melhor me identifico na vida), casar-me com alguém especial (que agora é um sonho factível), ter filhos (perdendo o medo aos poucos), ter uma horta, um pomar, uma bike, ter tempo, essas coisas todas tão facilmente tachadas de bobas, ou poucas, ou pequenas, em se tratando de sonhos.

Vai que minha vocação é essa? Para uma vida simples, sem concorrência, sem competição, sem precisar provar nada pra ninguém? E ser a mais bem-sucedida das criaturas por ser simplesmente... feliz?
(Acabamos de testemunhar mais uma tentativa, novata das minhas lucubrações, de explicar essa nova opção que me ocorreu, e assim fica provado, claro como o sol, como realmente é difícil eu conseguir assumir ignorância sobre mim)

Bem, esse é o pensamento dessa semana. Vamos ver quanto tempo dura.

Nenhum comentário: