de um lado, o amor clandestino. quase perfeito. e dolorido, tão dolorido. que não se encaixa, não se adequa a nada, não cabe, que não se concilia com o resto da vida e da verdade crida. fadado ao disfarce, ao cárcere privado, às restrições de toda ordem. e lindo, tão lindo. intenso, sincero, sedento.
mas não só. roubaram-lhe a pureza. ele foi tudo por um tempo, perfeito, mas já não é, só aqui dentro. se antes seu único obstáculo fora o mundo, hoje também lhe é a crueza da humanidade. se antes sua perfeição fora oferecer tudo, preenchendo todos os vazios, hoje traz em si incerteza, medo, insegurança. traz solidão, da qual pensava estar fugindo. hoje doi mais, doi além.
de outro, o amor invisível. perfeito em si, imperfeito em mim. e dolorido, tanto ou mais que o alternativo. é presente, embora nem sempre sentido, é passado próximo vivido, remoto herdado e garantido e é principalmente promessa, futuro certo. oferece tudo e pede tudo. morre por mim e me pede a morte para mim mesma. que temo, que doi tanto.
é, afinal, o amor dos meus melhores sonhos, apaixonado, desmedido, capaz de tudo. o amor que quero, anelo, busco, espero, temo e que, vejo tão bem hoje, não sei viver. um salto no abismo. cair, para, então, voar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário